Desmistificando a lenda de uma alma imortal

9 de setembro de 2013

Quando os justos entrarão no Reino? - Parte 1


Paulo e Onesíforo O companheiro de Paulo, Onesíforo, morre, e Paulo fala a respeito dele em sua segunda epístola a Timóteo: “O Senhor conceda misericórdia à casa de Onesíforo, porque muitas vezes ele me reanimou e não se envergonhou por eu estar preso; ao contrário, quando chegou a Roma, procurou-me diligentemente até me encontrar. Conceda-lhe o Senhor que, naquele dia, encontre misericórdia da parte do Senhor! Você sabe muito bem quantos serviços ele me prestou em Éfeso” (cf. 2ª Tm.1:16-18).

Este desejo de Paulo reforça ainda mais aquilo que já vimos até aqui: os mortos permanecem sem vida até a ressurreição dos mortos, quando serão despertados, sendo julgados para entrarem no Céu ou no inferno. Sabendo que Onesíforo, já morto, se encontrava nesse estado, Paulo deseja que ele encontre misericórdia da parte do Senhor naquele dia , indicado como um acontecimento futuro, o dia do juízo na segunda vinda de Cristo.

Para os imortalistas isso não faz qualquer sentido já que Onesíforo já teria encontrado a misericórdia da parte de Deus, pois já teria supostamente entrado no Paraíso com todos os outros santos. A misericórdia a Onesíforo já seria encontrada, ele já estaria no Céu e já teria sido julgado (cf. Hb.9:27),  já estaria desfrutando das bênçãos paradisíacas. Contudo, Paulo nada diz de Onesíforo já ter partido para a glória celestial, e ainda consola a família baseando-se na esperança de alcançar a misericórdia da parte do Senhor “naquele dia”, obviamente porque ele não teria encontrado tal misericórdia ainda.

Isso não faz senso algum caso Onesíforo já estivesse no Paraíso, pois Paulo (assim como qualquer imortalista) teria escrito que Onesíforo já teria alcançado a misericórdia de Deus e que ele já estava na “glória”. Mas o fato é que Onesíforo ainda não alcançou a misericórdia de Deus, e somente a alcançará “naquele dia”, o dia do juízo. Paulo deseja que ele alcance a misericórdia de Deus no dia do juízo, uma vez que Onesíforo não havia sido julgado ainda para encontrar a misericórdia da parte de Deus e entrar no Céu. Tal declaração de Paulo é fatal à doutrina da imortalidade por dois motivos principais:

(1) A consolação de Paulo não é que Onesíforo já esteja confortado no Céu, mas sim de obter a misericórdia no dia de um juízo futuro.

(2) Se Onesíforo já estivesse no Céu então já teria alcançado a misericórdia de Deus e, portanto, Paulo teria que ter empregado o verbo no passado: “encontrou”, e não “encontre naquele dia”, a misericórdia da parte do Senhor.

A linguagem de Paulo difere absurdamente dos defensores da alma imortal, porque ele não diz que “ele encontrou misericórdia da parte de Deus”; mas sim que ele só encontrará a misericórdia de Deus em um acontecimento futuro que se dará “naquele dia”. Evidentemente, tal linguagem de Paulo expressa a sua convicção de que os que já morreram só ganham vida em um acontecimento futuro – “naquele dia” – e, portanto, torna-se lógico o desejo do apóstolo em ver Onesíforo encontrar a misericórdia de Deus em um futuro distante, e não em consolar alguém com a ilusão de que este já estaria “na glória”, já tendo passado pelo juízo e alcançado a misericórdia de Deus.


A salvação do espírito é no Dia do Senhor “Entreguem esse homem a Satanás, para que o seu corpo seja destruído, e o seu espírito seja salvo no dia do Senhor (cf. 1Co.5:5). Essa é uma refutação de peso para a doutrina de que o espírito é salvo logo no momento da morte. O apóstolo Paulo ressalta que o homem que seria excomungado da Igreja (“entregue a Satanás”) de alguma forma poderia se voltar a Cristo e buscar a salvação para ser salvo. A pergunta que fica é: quando é que o espírito deste homem seria salvo? Quando ele morresse? Não, mas “no dia do Senhor”, que é claramente relacionado com a segunda vinda de Cristo.

Inúmeros versículos nos mostram que o “dia do Senhor” trata-se da Sua segunda vinda: “O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor (cf. At.2:20). Outras passagens que relacionam claramente o “dia do Senhor” que ainda está por vir com a segunda vinda de Cristo encontram-se nas epístolas de Paulo aos tessalonicenses: “Pois vós mesmos estais inteirados com precisão que o dia do Senhor vem como o ladrão de noite” (cf. 1Ts.5:2). E novamente ele afirma que o dia do Senhor é o momento da Sua segunda vinda: “A que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se procedesse de nós, supondo tenha chegado o dia do Senhor (cf. 2Ts.2:2).

O “dia do Senhor” não chegou ainda porque ele só acontece na segunda vinda de Cristo. Paulo, em todas as suas epístolas, compartilhava sua crença de que o dia do Senhor é relacionado à volta de Cristo. Pedro também compartilhava da mesma ideia ao escrever: “Virá, entretanto, como o ladrão, o dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas” (cf. 2Pe.3:10).

Vemos, portanto, que o “dia do Senhor” é uma clara referência à segunda vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, a Sua Volta gloriosa, e não ao momento da morte do homem a quem Paulo se refere. É no momento da segunda vinda de Cristo que o espírito será salvo, e não no momento da morte! Vale ressaltar sempre que é exatamente nesta segunda vinda que ocorre a ressurreição (cf. 1Co.15:22,23).

Se Paulo cresse que uma alma imortal deixasse imediatamente o corpo com a morte, levando consigo consciência e personalidade, então diria que o espírito seria salvo no momento da morte. Contudo, é claro o sentido do texto – o espírito é salvo “no dia do Senhor”, e não no dia de sua morte, o que nos revela ainda mais claramente a crença de Paulo de que a vida era somente a partir da ressurreição.

Sendo que é nos dito de modo claro que “o corpo seja destruído” [iria morrer corporalmente], o que esperaríamos na sequência, se existisse a imortalidade da alma, seria que o espírito seria salvo logo neste mesmo momento da morte, partindo imediatamente para junto de Deus. Contudo, Paulo faz questão de ressaltar que o espírito será salvo é “no dia do Senhor”, e não no dia da morte ou no mesmo momento exato da destruição corporal, porque é somente no dia do Senhor que ocorre a ressurreição para a vida.


Os filhos não foram revelados na glória ainda  – A natureza criada aguarda, com grande expectativa, que os filhos de Deus sejam revelados” (cf. Rm.8:19). Se os filhos de Deus já estivessem na glória, então a natureza não estaria esperando nada, pois já estariam todos sendo sucessivamente revelados nas mortes de cada um! Veja que o verbo está no futuro: “sejam revelados”; e não: “estão sendo revelados” ou “foram revelados”! O que o apóstolo Paulo escreve vai frontalmente contra a doutrina de que “morremos e vamos para a glória celestial”, porque os filhos de Deus ainda nem sequer foram revelados.

A natureza está aguardando, isto é, ela está com “grande expectativa”, sabendo que os filhos de Deus não foram revelados, mas haverá um dia em que eles, finalmente, serão revelados. Essa é a expectativa que todo verdadeiro cristão deveria ter, centrado no glorioso dia da ressurreição dentre os mortos no qual os filhos de Deus serão finalmente revelados para a glória diante de Deus.

Alguém ainda poderia argumentar como é que podemos ter a completa certeza de que se trata realmente da ressurreição dos mortos. A resposta a isso está na própria continuação da passagem no seu contexto, que deixa tal interpretação ainda mais clara:

Romanos 8
19 A natureza criada aguarda, com grande expectativa, que os filhos de Deus sejam revelados.
20 Pois ela foi submetida à futilidade, não pela sua própria escolha, mas por causa da vontade daquele que a sujeitou, na esperança
21 de que a própria natureza criada será libertada da escravidão da decadência em que se encontra para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus.
22 Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto.
23 E não só isso, mas nós mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo.
24 Pois nessa esperança fomos salvos. Mas, esperança que se vê não é esperança. Quem espera por aquilo que está vendo?
25 Mas se esperamos o que ainda não vemos, aguardamo-lo pacientemente.

Paulo afirma que ele esperava com ansiedade o momento em que seremos adotados como filhos, e indica este momento na sequência: a redenção do nosso corpo! Uma clara referência à ressurreição dos mortos, quando este corpo corruptível se transformará em incorruptível e a nossa natureza mortal se revestirá de imortalidade. O que Paulo afirma é muito importante, pois a partir disso vemos que a expectativa de Paulo não era que sua alma deixasse o seu corpo rumando a um estado intermediário, mas estava totalmente centrada na ressurreição dos mortos.

Tal era a esperança dele, na qual ele diz que esperava ansiosamente (v.23). Quanta diferença para os dias de hoje em que a doutrina da imortalidade da alma fez com que a ressurreição se tornasse um mero detalhe desnecessário! É óbvio que esta é a esperança de Paulo porque é neste momento em que ele se veria na glória. Tal conclusão fica ainda mais forte quando vemos que é neste momento em que seremos adotados como filhos (v.23). Não é logo após a morte em um estado desencarnado, mas sim na “redenção do nosso corpo”, na ressurreição dos mortos.

Paulo nem imaginava que poderia ficar milênios no Paraíso em um “estado intermediário” sem ter sido adotado como filho ainda para só depois disso Deus finalmente adotá-lo como filho e só depois disso ele ser revelado. O foco todo é na ressurreição dos mortos, porque é somente neste momento que vem a adoção como filho na glória (v.23). Paulo segue uma lógica incontestável: os filhos de Deus ainda não estão revelados (v.19), a espera ansiosa era pela redenção do corpo (ressurreição - v.23), e a nossa adoção como filho é também somente na ressurreição (v.23)!

E Paulo ainda conclui: “é nessa esperança que fomos salvos” (v.24)! Qual é o contexto? Qual é a ênfase? Qual é o sentido lógico lendo-se todo o conjunto? É óbvio que Paulo sabia que o momento em que estaria na glória seria na ressurreição, quando finalmente seremos adotados como filhos. E era nessa esperança - da ressurreição - que ele vivia, e não na ilusão de uma vida em estado incorpóreo, antes de chegar qualquer "redenção do nosso corpo" e antes da nossa "adoção como filhos".

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

Extraído de meu livro: "A Lenda da Imortalidade da Alma"


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Biblicamente, o que é o "espírito"?


Espírito, no original hebraico “ruach”, significa literalmente: “sopro, vento”. É o fôlego de vida que Deus soprou em nossas narinas tornando-nos almas viventes. Para os imortalistas, significa nada a mais e nada a menos do que a própria alma imortal implantada no homem, um segmento com consciência e personalidade. Mas isso não é verdade. Uma grande prova de que o fôlego de vida (espírito) que Deus soprou em nós não é uma alma imortal, é que a Bíblia afirma categoricamente que nós o perdemos por ocasião da morte (cf. Jó 27:3; Jó 34:14-15).

Ora, se fosse uma entidade consciente presa dentro de nós, então continuaria conosco após a nossa morte, mas isso não é verdade: a Bíblia caracteriza a morte como a retirada do fôlego de vida (sopro). Isso prova que o “espírito” que possuímos nada mais é do que o sopro da parte de Deus que concede animação ao corpo, sendo freqüentemente caracterizado como sendo o “sopro de Deus” (cf. Jó 33:4).

Quando é retirado por Deus (expirando), o fôlego é reintegrado no ar, por Deus. O próprio fato de nós possuirmos o “fôlego de vida” não significa possuir em si mesmo a imortalidade, porque na morte este princípio volta para Deus. Isso nos mostra que a vida deriva de Deus, é sustida por Deus e retorna para Deus por ocasião da morte. “Espírito”, no conceito bíblico, em nada tem a ver com uma entidade viva e consciente tal como no estilo kardecista ou platônico.

Tal fato é acentuado por Jó ao declarar: Enquanto em mim houver alento, e o sopro de Deusno meu nariz, nunca os meus lábios falarão injustiça, nem a minha língua pronunciará engano”(cf. Jó 27:3,4). Enquanto o sopro de Deus está nas nossas narinas, nunca Jó pronunciaria qualquer palavra de engano. Quando, porém, o sopro se vai, o que é dele? Nada, não mais existe (cf. Jó 7:21; Jó 14:10-12).

Por isso ele acentua que enquanto estiver com ele o sopro de Deus nas suas narinas, os seus lábios não pronunciariam engano. O sopro (fôlego de vida) é inteiramente dependente de estar nas nossas narinas (corpo físico) para continuar ativo, dando continuidade a vida. Sem o corpo físico, este princípio deixa de conceder vida em si mesmo. Ademais, se o espírito [ruach– sopro] fosse a própria alma imortal implantada em nós, então a declaração de Jó nos levaria a crer que a “alma imortal” está situada no nariz de cada indivíduo: “Enquanto em mim houver alento, e o sopro de Deus no meu nariz” (cf. Jó 27:3).

Também lemos na passagem anteriormente citada: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o homem tornou-se uma alma vivente” (cf. Gn.2:7). Ora, é aí que se situa essa “alma imortal”, no nariz de cada indivíduo? É mais do que evidente que o espírito (fôlego de vida) não é a alma implantada no ser humano nas suas narinas, mas simplesmente o princípio que anima o corpo, concedendo-lhe respiração a fim de se tornar um ser ativo.

Isso explica o fato bíblico deste princípio encontrar-se nas nossas narinas, e não na “alma” ou em alguma outra parte do corpo. Evidentemente, o fôlego de vida (espírito) que possuímos não tem parte nenhuma com uma noção dualista de corpo e alma; antes, é o princípio animador do corpo, que garante a existência da vida terrestre de toda a carne, e que volta para Deus quando expiramos na morte. Dizer que o fôlego de vida (espírito) que foi soprado no homem em Gênesis 2:7 é uma “alma imortal” é o mesmo que dizer que possuímos a alma em nosso nariz, o que creio não ser nem um pouco razoável.

O corpo é formado de matéria, de pó. O espírito é o que dá animação ao corpo, e assim tornamo-nos almas viventes. Sem o espírito em nós, o nosso corpo morto não passa de matéria (pó) inanimado, sem vida. O que é o “espírito”, então? É exatamente aquilo que dá animação ao corpo, é a “vida” por assim dizer. Obviamente não tem parte nenhuma com algum outro “você” que volta para Deus, mas representa tão somente a vida deixada nas mãos do Criador; é por isso que a Bíblia apresenta os animais com o mesmo espírito-ruach possuído pelos humanos (cf. Gn.6:17; Gn.7:21,22; Ec.3:19,20; Gn.7:15; Sl.104:29). No livro de Apocalipse é lido que até uma imagem de escultura é dotada de espírito [pneuma, no grego] para tornar-se um ser animado:

“E foi-lhe concedido que desse espírito [pneuma] à imagem da besta, para que também a imagem da besta falasse, e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta” (cf. Apocalipse 13:15)

Aqui vemos que a imagem de escultura (um ser inanimado) foi dotada de espírito [pneuma] e assim foi dada animação [vida] à imagem. É mais do que óbvio que Deus não colocou uma “alma imortal” dentro da imagem e muito menos alguma entidade consciente que volta com personalidade e inteligência para Deus, mas simplesmente concedeu-lhe o fôlego da vida para dar animação à imagem de pedra. É exatamente a mesma coisa que sucedeu aos seres humanos.

A mesma coisa sucedeu a nós: fomos formados do pó da terra, de matéria inanimada; até que Deus soprou em nós o espírito [vida] dando animação à matéria formada do pó – e assim o homem tornou-se uma alma [ser] vivente. O espírito é o que vem da parte de Deus e que dá animação a um elemento inanimado, tornando tal elemento em animado, concedendo-lhe vida. Quando as pessoas morrem, elas perdem a vida [espírito], tornam-se novamente em matéria inanimada (pó), é por isso que a Bíblia afirma que o espírito de todos retorna a Deus (cf. Ec.12:7), pois as pessoas perdem a vida, voltam a ser pó.

Deus, contudo, ressuscitará os nossos corpos mortais, soprando novamente em nós o espírito [vida] na ressurreição (para sermos novamente um ser animado, vivente) tornando-nos novamente em “almas viventes”. Tal fato é relatado com clareza em Apocalipse:

“Então vi uns tronos; e aos que se assentaram sobre eles foi dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados por causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na fronte nem nas mãos; e reviveram, e reinaram com Cristo durante mil anos” (cf. Apocalipse 20:4)

Aqui é nos dito que as almas dos que foram degolados por causa do testemunho de Jesus reviveram. Se elas “reviveram”, é porque estavam mortas. O que aconteceu, então, nessa ressurreição? Aconteceu que Deus soprou em nós novamente o espírito que vem da parte dEle, para que saíssemos do estado inanimado (i.e, sem vida), tornando-nos novamente em almas viventes:

“Assim diz o Soberano, o Senhor, a estes ossos: Farei um espírito entrar em vocês, e vocês terão vida. Porei tendões em vocês e farei aparecer carne sobre vocês e os cobrirei com pele;porei um espírito em vocês, e vocês terão vida. Então vocês saberão que eu sou o Senhor” (cf. Ezequiel 37:5,6)

“Por isso profetize e diga-lhes: Assim diz o Soberano, o Senhor: Ó meu povo, vou abrir os seus túmulos e fazê-los sair; trarei vocês de volta à terra de Israel. E quando eu abrir os seus túmulos e os fizer sair, vocês, meu povo, saberão que eu sou o Senhor. Porei o meu espírito em vocês e vocês viverão, e eu os estabelecerei em sua própria terra. Então vocês saberão que eu, o Senhor, falei, e fiz. Palavra do Senhor” (cf. Ezequiel 37:12-14)

Notem que não é o nosso espírito que deixa o Céu para se religar ao corpo por ocasião da ressurreição, mas sim o espírito de Deus que concede vida que nos é soprado novamente; fazendo-nos sair dos túmulos, o local onde o povo que já morreu se encontraria. Nós estaríamos sem vida na morte, mas Deus nos concederia novamente o espírito que parte dEle a fim de nos conceder novamente vida por ocasião da ressurreição.

Não existe nenhuma religação entre corpo e alma, mas tão somente o princípio animador da vida sendo novamente concedido a nós por ocasião da ressurreição dos mortos. Podemos assim traçar uma correta analogia com a imagem inanimada de Apocalipse que recebeu o espírito para tornar-se animada:

A NATUREZA HUMANA SEGUNDO GÊNESIS 2:7
A IMAGEM DE APOCALIPSE 13:15
Feito do pó da terra
Feita de pedra
Material inanimado
Material inanimado
Foi-lhe dado o espírito
Foi-lhe dada o espírito
Passou a ter vida (tornou-se um ser vivente)
Passou a ter vida
Tornou-se um ser animado
Tornou-se um ser animado

Como vemos, o “espírito” que possuímos é nada a mais do que aquilo que dá animação ao corpo (matéria), concedendo-lhe vida. A analogia com a imagem de pedra relatada no Apocalipse é válida porque o mesmo que sucedeu aos seres humanos sucedeu também à imagem, ambos tornaram-se um ser animado após ser lhes soprado o espírito. É evidente que o “espírito” soprado não é uma “alma imortal” (pois se assim o fosse então por lógica a imagem de pedra também a deveria possuir, pois também foi dotada de espírito-pneuma), mas é tão somente o princípio de vida concedido às criaturas viventes durante a permanência de sua existência terrestre.

É claramente nos referido que o motivo dos ídolos mudos não serem vivos é decorrente do fato de não possuírem “espírito-ruach”: “Eis que está coberto de ouro e de prata, mas no seu interior não há fôlego [ruach] nenhum” (cf. Hc.2:9). E também em Jeremias: “Todo ourives é envergonhado pela imagem que ele esculpiu; pois as suas imagens são mentira, e nelas não há fôlego [ruach] (cf. Jr.10:4).

Aqui vemos que os que não têm vida são descritos como sem “espírito-ruach”. Os ídolos são considerados como “sem vida” pelo fato de serem destituídos de espírito-ruach, que é o princípio animador de toda a vida. Quando um ídolo ou uma imagem ganha animação, é descrito como constituído de “espírito-pneuma” (cf. Ap.13:15), porque passou a ter vida. Em outras palavras, o espírito é nada a mais do que o poder capacitador de vida a qualquer ser vivente, mesmo quando se trata de imagens de pedra ou de animais, como veremos mais adiante.

Ele não é uma alma imortal, e nem algo que traz consigo imortalidade, consciência e personalidade após a morte, mas apenas a vida que possuímos em nossa jornada em nossa terrestre. Se o espírito fosse uma alma imortal, então a imagem de pedra de Ap.13:15 e os animais também teriam “almas imortais”, pois são descritos possuindo “espírito-pneuma. Quando o espírito é retirado do ser humano, este volta para o pó da terra (cf. Sl.104:29; Sl.146:4; Gn.3:19). Da mesma forma, quando o espírito concedido temporariamente àquela imagem lhe é retirado, esta volta a ser uma pedra inanimada. O processo é o mesmo: seres ou objetos inanimados que temporariamente ganham vida pelo sopro do espírito-ruach em seu interior e que tornam-se novamente inanimados (sem vida) após este sopro retornar ao Criador.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

Extraído de meu livro: "A Lenda da Imortalidade da Alma"


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Como e quando a imortalidade da alma entrou no Judaísmo


Como já vimos, a primeira vez em que a doutrina da imortalidade da alma entrou no mundo foi através da serpente, no Jardim do Éden, proferindo o que seria hoje a base da doutrina imortalista: “...certamente não morrerás” (cf. Gn.3:4). Essa mentira foi a primeira que Satanás implantou no mundo, por inúmeros motivos, como vimos:

(1) Impugnar o caráter imutável do amor [e justiça] de Deus;

(2) Ser a base das demais mentiras que resultam em adoração e culto às criaturas mortas, espiritismo, paganismo, consulta aos mortos, intercessão dos santos, purgatório, reencarnação, etc;

(3) Tirar do evangelho o Cristocentrismo primitivo;

(4) Se a pessoa não morre, ela não tem a necessidade de um arrependimento sincero e genuíno (através de um processo de santificação), para ser separada do mundo e tornar-se propriedade exclusiva do Senhor, pois bastaria apenas ser “mais ou menos boa” e depois da morte “as rezas resolvem tudo”;

(5) Faz com que o foco das pessoas seja de escapar de um inferno horrivelmente atormentador ao invés do foco ser em Cristo Jesus e na graça divina;

(6) Desvaloriza o conceito de “vida eterna”, uma vez que todas as pessoas teriam uma vida eterna de qualquer jeito (no Céu ou no inferno), e a vida eterna não seria um dom e não seria somente em Cristo, mas existiria também uma vida eterna com o diabo;

(7) Despreza o verdadeiro valor da ressurreição dos mortos para a vida ou para a condenação, uma vez que os mortos já estariam no Céu ou no inferno, sendo, portanto, totalmente desnecessário e inútil tal ressurreição dos mortos;

(8) O objetivo e finalidade da “conversão” de um cristão seria de escapar de um inferno eterno e não Jesus;

(9) Cria cristãos edificados sobre o medo e sobre uma consciência errada com relação a Deus, ao invés de estarem edificados sobre o amor e sobre a graça do Pai; e, finalmente:

(10) Tira a honra completa para Cristo como "a ressurreição e a vida”, com o objetivo de esvaziar as fileiras da Igreja a fim de trazê-las para religiões falsas edificadas sobre a crença na alma imortal para continuarem subsistindo.

Satanás é considerado pela Bíblia o “pai da mentira” (cf. Jo.8:44), que, ao ser expulso do Céu, procurou de todas as maneiras atacar a criação do Deus, o homem, uma vez que ele não tinha força suficiente para confrontar diretamente a Deus. O resultado disso foi a implantação de diversas mentiras, quase todas elas construídas sobre a crença de que “certamente não morrerás”, e a partir daí o ensino em um estado intermediário consciente dos mortos e em um tormento eterno se tornaram realidade para boa parte dos antediluvianos e foi retomado pelas pessoas no tempo de Ninrod.

O criador da imortalidade natural da alma é Satanás (cf. Gn.3:4), mas, depois, ele se utilizou de recursos humanos para difundir tal doutrina pelo mundo afora, na “confusão das línguas” na Torre de Babel, se disseminando pelo mundo (sendo maior o número de pessoas a crer na alma imortal do que as que criam na mortalidade natural da alma). 

Uma vez que tal ideia foi criada pelo diabo, ficou muito fácil torná-la plenamente difundida entre as religiões pagãs que não tinham comprometimento com o Deus de Israel. Afinal, são os próprios espíritos malignos que regem e perpetuam estes enganos, e com facilidade vemos que a grande maioria das religiões pagãs da antiguidade passaram a seguir também a mentira propagada pela boca da serpente no Éden.

Os hebreus, contudo, tinham o Deus vivo, e por isso acreditavam em uma natureza humana holista, e não dualista do ser humano. Eles estavam protegidos pelo Deus de Israel de doutrinas falsas que pudessem enganar até os homens justos. Os povos pagãos, contudo, não tinham o Deus de Israel, estando completamente expostos às doutrinas dos demônios, os verdadeiros agentes por detrás dos “ídolos” (cf. 1Co.10:20). O resultado disso foi que sem a menor dificuldade praticamente todas elas adotaram a mesma mentira proferida à Eva no Jardim e passaram a crer na doutrina da imortalidade da alma, em suas mais diferentes formas.

Com o passar do tempo, a crença na sobrevivência da alma passou a se tornar realidade até mesmo entre os judeus, o povo do Deus vivo. Segundo a própria Enciclopédia Judaica, a imortalidade da alma não é ensinada nas Escrituras e os judeus só passaram a crer nela através de Platão, seu principal expoente, em um verdadeiro sincretismo religioso com o helenismo predominante naquela época e naquela região, por ocasião da diáspora judaica:

"A crença de que a alma continua existindo após a decomposição do corpo é uma especulação... que não é ensinada expressamente na Sagrada Escritura... A crença na imortalidade da alma chegou aos judeus quando eles tiveram contato com o pensamento grego e principalmente através da filosofia de Platão (427 - 347 a.C.), seu principal expoente, que chegou a esse entendimento por meio dos mistérios órficos e eleusianos, que na Babilônia e no Egito se encontravam estranhamente misturados"[1]

A Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional também revela que os israelitas não criam na imortalidade da alma antes de serem tardiamente influenciados por Platão:

"Quase sempre somos mais ou menos influenciados pela ideia grega platônica, que diz que o corpo morre, mas a alma é imortal. Tal ideia é totalmente contrária à consciência israelita e não é encontrada em nenhum lugar do Antigo Testamento"[2]

Claro que Deus só deixou que tal fato se concretizasse depois do Antigo Testamento ter sido concluído, pois Ele cuida de não haver doutrinas falsas em Sua Palavra. O fato da doutrina na alma imortal ter sido propagada entre os judeus através do sincretismo com a filosofia platônica, também atestado pela própria Enciclopédia Judaica, explica o porquê dos livros apócrifos contidos nas Bíblias dos católicos estarem repletos de informações claras sobre a “imortalidade da alma” e sobre a existência do estado intermediário, e até mesmo do “purgatório” e de oração pelos mortos, pois foram escritos depois de ter se consumado tal contato com o paganismo.

É evidente que tal pensamento para os hebreus só se tornou realidade a eles a partir do sincretismo religioso com as religiões pagãs, por ocasião da diáspora judaica, quando o povo hebreu esteve exposto às doutrinas helenísticas de grande influência, incluindo a forte concepção grega de imortalidade da alma impregnada por Platão na Grécia Antiga.

Os judeus ali sofreram grande influência da filosofia grega, e houve até um destacado intelectual judeu, Filo, que se empenhou grandemente por difundir as doutrinas gregas, que muito os empolgavam,  e fundi-las com o judaísmo já existente. Historicamente, foi este filósofo judeu que tentou empreender esta síntese (união) das concepções gregas e hebraicas, resultando, inclusive, na adoção do dualismo grego entre corpo e alma.

Quando os judeus estiveram expostos a tais pensamentos, passaram então a escrever e a acreditar em tais superstições, contrariando o pensamento holístico bíblico de séculos anteriores (cf. Gn.2:7; Sl.13:3; Ec.9:5,6; Ec.9:10; Sl.146:4; Sl.6:5; Sl.115:17; Sl. 13:3; Jó 14:11,12; Sl.30:9; Is.38:18; Is.28:19; Sl.94:17). Na própria narração da criação humana é narrado o simplismo bíblico no homem tornar-se uma alma (cf. Gn.2:7), algo muito diferente dos contos pagãos em que os seres humanos recebiam (ou “obtinham”) uma alma eterna/imortal que lhes era infundida.

Na Bíblia Sagrada, “espírito” significa somente “vida”, e não uma outra pessoa consciente dentro do ser humano (cf. Gn.6:17; Gn.7:21,22; Ec.3:19,20; Gn.7:15; Sl.104:29), algo muito diferente do que criam as religiões pagãs e politeístas da época. Na diáspora judaica, influenciados pelo sincretismo pagão, o povo judeu passou a claramente declarar a posição de imortalidade da alma (cf. Sabedoria 3:1-4; 5:1-4; 2:23; 3:2,4; 8:19,20; 9:15).

O livro de “Sabedoria”, por exemplo, cita passagens de livros bíblicos escritos séculos depois da morte de Salomão (em  998 a.C) e faz isso da Septuaginta grega, que começou a ser traduzida por volta de 280 a.C. Por isso, o livro “Sabedoria de Salomão”, na verdade, não tem nada a ver com Salomão, que claramente negava a vida após a morte (cf. Ec.3:19,20; Ec.9:5; Ec.9:6; Ec.9:10), isso evidentemente séculos antes da diáspora judaica. Atualmente acredita-se que o escritor tenha sido um judeu de Alexandria, no Egito, por volta de meados do primeiro século antes de Cristo.

O escritor deste livro faz uso fortemente da filosofia grega, mostrando grande particular familiaridade com ela. Ele usa terminologia platônica na divulgação da doutrina da imortalidade da alma (cf. Sabedoria 3:1,4; 5:1-4; 2:23; 3:2,4; 8:19,20; 9:15). Outros conceitos pagãos apresentados são a pré-existência das almas humanas e o conceito de que o corpo é um impedimento ou estorvo para a alma (cf. 8:19, 20; 9:15). É óbvio que tais ensinamentos não existem em parte nenhuma da Bíblia canônica e muito menos antes da diáspora, pois tais ensinamentos estão clarissimamente relacionados ao sincretismo com o dualismo platônico.

ANTES DA DIÁSPORA
DEPOIS DA DIÁSPORA
“Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento. Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol [...] Tudo quanto te vier à mão para fazer faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma” (cf. Eclesiastes 9:5, 6 e 10)

“As almas dos justos estão nas mãos de Deus, e nenhum tormento jamais os tocará [...] pois na verdade eles estão em paz, e a esperança deles é plena imortalidade” (cf. Sabedoria 3:1-4)

Antes daquele momento, nada de imortalidade da alma; depois daquele momento, inúmeras menções explícitas dela. No livro anteriormente citado, lemos algumas destas “descrições”: "As almas dos justos estão na mão de Deus, e não os tocará o tormento da morte. Pareceu aos olhos dos insensatos que morriam; e a sua saída deste mundo foi considerada como uma aflição, e a sua separação de nós como um extermínio; mas eles estão em paz (no céu). E, se eles sofreram tormentos diante dos homens, a sua esperança está cheia de imortalidade” (cf. Sabedoria 3:1-4)

Fica mais do que claro que tais menções explícitas de imortalidade da alma nos livros não-canônicos (ou “apócrifos”) foram feitas não pela inspiração divina, mas sim pelo sincretismo com o paganismo grego, “coincidentemente” no exato momento da diáspora judaica. Se a imortalidade da alma fosse a doutrina do Antigo Testamento antes da influência de ensinamentos gregos de dualismo entre corpo e alma, então o que deveríamos esperar seria justamente inúmeras e constantes menções plenamente definidas de imortalidade da alma neles (assim como vemos constantemente ensinamentos dualistas depois da diáspora).

Tal fato, contudo, está muito longe de ser realidade. O próprio fato de os hebreus começarem a escrever sobre a imortalidade da alma a partir da diáspora corrobora com a História que nos mostra que houve tal sincretismo pagão por esta época. O Dr. Samuelle Bacchiocchi acrescenta:

“Durante esse período inter-testamentário, o povo judeu esteve exposto, tanto em seu lar, na Palestina, quanto na diáspora (dispersão), à cultura e filosofias helenísticas (gregas) de grande influência. O impacto do helenismo sobre o judaísmo é evidente em muitas áreas, inclusive na adoção do dualismo grego por algumas obras literárias judaicas produzidas nessa época”[3]

Vemos, portanto, que como o resultado deste impacto foi o que resultou na difusão da doutrina da imortalidade da alma entre os judeus, que entrou no judaísmo não por uma ordenança divina, mas decorrente do puro sincretismo religioso com as religiões pagãs. Mas havia ainda uma linha de pensamento que corria no mundo judaico em paralelo com a visão dualista helenista. Esta outra linha de pensamento diz respeito ao judaísmo palestino que se manteve fiel aos escritos bíblicos veterotestamentários.

Um dos livros que nos mostra isso é o apócrifo de 2ª Baruque, que, em linguagem bem semelhante aos ensinos canônicos neotestamentários provenientes da palestina, afirma que os mortos “dormem no pó da terra” e na segunda vinda do Messias “todos os que adormeceram na esperança dEle ressuscitarão; todos os justos serão reunidos num instante e os ímpios lamentarão, pois o tempo de seu tormento é chegado” (cf. 2ª Baruque cap.30).

A linha de pensamento é fortemente semelhante ao pensamento do Novo Testamento e expressa com exatidão a figura bíblica adequada para a morte: o sono (cf. Jo.11:11); o local onde estão os mortos: o pó da terra (cf. Dn.12:2); a esperança do verdadeiro cristão: a ressurreição (cf. Hb.11:35); o momento em que os justos serão todos ajuntados juntamente: na segunda vinda de Cristo (cf. 1Ts.4:15); e quando é que os ímpios finalmente serão atormentados: somente na ressurreição que lhes é chegado o momento da sua punição (cf. 2Pe.2:9).

Esta linha de pensamento ainda corrente no primeiro século (2ª Baruque foi escrito em fins do primeiro século d.C ou início do segundo) ainda corria entre o judaísmo palestino. Uma linha que mantém a esperança focada na ressurreição (cf. At.24:15), que prega que só Deus é possuidor natural de imortalidade (cf. 1Tm.6:16), e que o homem tem que buscá-la porque não a possui naturalmente (cf. Rm.2:7). Essa é a linha de pensamento neotestamentária utilizada pelos apóstolos.

Foi somente a partir de meados do segundo século que os filósofos primitivos cristãos adotaram o conceito grego de imortalidade da alma, algo presumível uma vez que tal conceito era fortemente difundido nas comunidades não-cristãs. Muitas doutrinas foram corrompidas ao longo dos séculos, incluindo a concepção do dualismo grego dominante na época.

Por este tempo a ideia da existência de uma alma imortal tomou conta do Cristianismo, permanecendo até os dias de hoje, na maioria das igrejas cristãs. Tendo como única fonte de fé as Sagradas Escrituras disponíveis em sua época, e que negavam em absoluto qualquer tipo de vida pré-ressurreição (cf. Gn.2:7; Sl.13:3; Ec.9:5,6; Ec.9:10; Sl.146:4; Sl.6:5; Sl.115:17; Sl. 13:3; Jó 14:11,12; Sl.30:9; Is.38:18; Is.28:19; Sl.94:17), os apóstolos a seguiam em não tomar parte com tal doutrina que, até esta época, estava das portas para fora da Igreja.

O próprio fato da vida ser apenas a partir da ressurreição fazia com que o foco da Igreja primitiva fosse completamente voltado ao glorioso dia da ressurreição dos mortos, assunto este que era a base de todo o Novo Testamento, sendo mencionadas algumas centenas de vezes (ex: Atos 16:6-8; Hebreus 11:35; Atos 4:2; 17:18; Atos 23:6; 24:15, que mostram que a esperança dos cristãos era na ressurreição).

Por que quase não ouvimos falar na doutrina da ressurreição entre as igrejas cristãs dos dias de hoje? Porque elas passaram a adotar a imortalidade da alma. O helenismo trouxe aos hebreus uma mescla das doutrinas gregas de imortalidade da alma com as suas próprias convicções a respeito a ressurreição dos mortos. O resultado desta mescla foi que eles não deixaram de conceber a doutrina da ressurreição, mas incluíram junto a ela uma nova ideia que com o passar dos tempos foi deixando a realidade da ressurreição cada vez mais insignificante: a imortalidade da alma.

Na época de Cristo, imortalidade da alma e ressurreição dos mortos eram dois opostos. Os gregos acreditavam na doutrina da imortalidade (e os cristãos dos dias de hoje misturam os dois). Naquela época, contudo, uma vez que a esperança cristã era a da ressurreição, se você quisesse pregar que os mortos já tinham ido para a glória teria que pregar deste jeito:

“Os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns” (cf. 2Tm.2:18). O próprio apóstolo Paulo teve sérios problemas em Atenas por causa da crença deles na imortalidade da alma, como é dito em Atos 17:32. A verdade é que Paulo pregava a ressurreição, e, os gregos, a imortalidade incondicional da alma. O resultado disso foi a rejeição por parte deles aos ensinamentos de Paulo. 

A esperança bíblica primitiva era sempre voltada à ressurreição, e não à imortalidade da alma. A crença na alma imortal não apenas desqualifica e tira a importância da ressurreição, como também a anula como sem sentido, uma vez que todos iríamos continuar no Céu ou no inferno do mesmo jeito sem ela. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

Extraído de meu livro: “A Lenda da Imortalidade da Alma”


-Artigos relacionados:
- A morte da alma imortal (P2)


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[1] Enciclopédia Judaica, 1941, vol. 6, "A Imortalidade da Alma", pp. 564, 566.
[2] Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional, 1960, vol. 2, "Morte", p. 812.
[3] BACCHIOCCHI, Samuele. Imortalidade ou Ressurreição: Uma abordagem bíblica sobre a natureza e o destino eterno. Unaspress, 1ª edição, 2007.
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