Desmistificando a lenda de uma alma imortal

15 de outubro de 2013

A Lei Moral e a Doutrina do Inferno


A Lei Moral - Uma simples questão de raciocínio lógico já nos mostra a impossibilidade do tormento eterno. Por exemplo, você castigaria uma criação sua que pecou contra você durante algum tempo por um tormento sem um fim? Seja sincero, independente do que ele fez, você seria capaz de atormentá-lo no fogo em tempo sem fim? Não, eu diria que você (como um pai natural) o puniria de acordo com aquilo que ele merece, isto é, aquilo que ele fez por merecer pelas suas obras seria o tempo em que ele passaria sendo castigado, e não mais do que isso.

Mesmo se o caso fosse de algum desconhecido, qualquer juiz justo e honesto (do mundo natural) daria uma pena de tempo correspondente ao que ele fez por merecer. Por isso, algumas pessoas ficam mais tempo presas do que outras, e nem mesmo fogo (tormento) tem! Mas, se nem você mesmo seria capaz de punir completamente desproporcionalmente deste jeito algum ser humano, será que Deus poderia dar tal castigo totalmente desproporcional?

Se os pecados finitos exigiriam um tempo de castigo finito e temporal, será que Deus atormentaria uma alma eternamente? Logicamente, não! Mas, mesmo que assim fosse, esbarraria seriamente em uma questão de lógica, uma vez que nós (que somos ímpios) sabemos tratar com justiça proporcional aos atos, quanto mais então Deus (que é a imagem perfeita do amor, da justiça e da misericórdia) muito menos ainda poderia dar tal exemplo contrário!

Isso é contra a própria natureza divina, e, mais ainda que isso, ocasionaria que uma natureza humana (ímpia) fosse mais justa do que uma natureza divina (perfeitamente justa). Ora, isso é claramente uma contradição em primeira ordem, seguindo-se, portanto, que o tormento eterno é totalmente incompatível com a justiça divina. O fato é que atua nos seres humanos uma Lei Moral, lei esta implantada pelo próprio Deus. Isso é reconhecido até mesmo pelos imortalistas Frank Turek e Norman Geisler, que disseram:

“Os seres humanos não determinam o que é certo e o que é errado; nós descobrimos o que é certo ou errado. Se os seres humanos determinassem o que é certo ou errado, então qualquer um poderia estar ‘certo’ em afirmar que o estupro, o homicídio, o Holocausto ou qualquer outro mal não é realmente errado. Mas nós sabemos intuitivamente que esses atos são errados por meio de nossa consciência, que é manifestação da lei moral [...] Essa lei moral deve ter uma fonte mais elevada que nós mesmos, porque ela é uma prescrição que está no coração de todas as pessoas [...] O padrão de retidão é a própria natureza do próprio Deus — infinita justiça e infinito amor[1]

Paulo fala sobre esta lei moral na epístola aos Romanos, da seguinte maneira:

De fato, quando os gentios, que não têm a lei, praticam naturalmente o que ela ordena, tornam-se lei para si mesmos, embora não possuam a lei; pois mostram que as exigências da lei estão gravadas em seus corações. Disso dão testemunho também a consciência e os pensamentos deles, ora acusando-os, ora defendendo-os” (cf. Romanos 2:14,15)

Em outras palavras, vemos que atua em nós uma Lei Moral (que pode ser seguida ou não), e esta lei de consciência provém da essência do próprio Deus! Como foi colocado anteriormente, “o padrão de retidão é a própria natureza do próprio Deus — infinita justiça e infinito amor”. O que essa Lei Moral nos diz? Ela nos induz a uma outra lei: a Lei de Justa Retribuição (proporcionalidade). Ninguém julgaria como “justo” e “amoroso” o ato de condenar pessoas que cometeram décadas de pecado (ou menos ainda) a um tormento eterno e infindável com fogo e enxofre, em um processo que não cessa nunca, pois isso não é justa retribuição, mas exatamente injusta retribuição!

Isso faz parte da natureza de Satanás, e não de Deus. Levando em consideração que essa lei da proporcionalidade provém da Lei moral que é a essência e natureza do próprio Deus, fica muito claro que este próprio Ser não pode contradizer a si mesmo e condenar pessoas a um eterno tormento. Isso é somente lógica, em que descobrimos facilmente que o implantador da mentira do tormento eterno é exatamente aquele ser que tem exatamente a natureza oposta de Deus: Satanás.

Este ser tem por natureza e essência o mal, a vingança, a tortura – se puder, eternizá-la! Por isso, não é a toa que esta mentira tem sido implantada no mundo, pois um ser naturalmente mal engana as pessoas com mentiras que estão naturalmente na essência deste próprio ser que propaga as mentiras, indo frontalmente contra os ensinamentos morais de Deus, a lei de consciência, a lei de proporcionalidade e a lei moral que é a essência plena e natureza do próprio Deus vivo, que nega absolutamente a tortura eterna da alma.

Outro fácil método de desenvolvermos o raciocínio é partirmos do sentido inverso. Se a natureza divina incluísse a tortura eterna dos seres humanos, isso então se remeteria na nossa própria Lei Moral (lei de consciência), pois ela reflete a essência do próprio Deus. A consequência disso seria desastrosa para os seres humanos, pois teríamos em nós mesmos a consciência de que é certo pagar infinitamente mais do que aquilo que alguém realmente merece, passando literalmente por cima da lei da proporcionalidade e justa retribuição.

Uma fácil conclusão disso seria que literalmente qualquer um estaria realmente certo em afirmar que o estupro, o homicídio, o Holocausto ou qualquer outro mal não é algo errado, mas certo, pois não existiria a lei de proporcionalidade e justa retribuição em nós, pois o próprio Deus não seria assim! Vemos, portanto, que a Lei Moral é fatalmente contra a tese imortalista do tormento eterno. A lógica é muito simples:

(1) Existe uma Lei Moral (lei de consciência) que atua no íntimo dos seres humanos.

(2) Nessa Lei Moral é evidente o Princípio da Proporcionalidade.

(3) Essa Lei Moral que prega a Proporcionalidade é o reflexo da essência, caráter e natureza do próprio Deus.

(4) Logo, Deus não pode punir infinitamente mais por pecados finitos, pois isso contrariaria diretamente a sua própria natureza e ainda iria de frente ao próprio Princípio da Proporcionalidade.

Outra maneira que podemos enumerar as premissas é a partir dos seguintes fatos abaixo expostos:

(1) O ser humano, sendo ímpio, não é capaz de atormentar eternamente alguém por pecados finitos e temporais, pois isso contraria o senso de ética, lei moral e justiça que o próprio Deus colocou em cada um de nós.

(2) Se Deus (que é a imagem perfeita do amor e da justiça) atormentasse eternamente com fogo alguém, seria um castigo desproporcional que nem sequer um ser humano (ímpio) seria capaz de fazer.

(3) Deus não pode contradizer a sua própria lei moral imposta no coração de cada ser humano (uma vez que foi ele mesmo quem a colocou) e, mesmo se fosse o caso, um ser humano por ser ímpio jamais pode ser mais justo do que a natureza divina.

(4) Deus não pode ir contra a Lei Moral imposta por ele próprio, porque essa Lei Moral é a essência e natureza dele mesmo.

(5) Portanto, é incompatível a justiça divina, a lei moral e a proporcionalidade de pecados em relação a imposição de um eterno tormento com fogo. Tal suposição absurda faria com que o ser humano fosse mais justo do que Deus, o que é objetivamente inaceitável.

A ética da parte de Deus é demonstrada tanto no Antigo Testamento como no Novo, pois o Antigo figura o Novo:

ANTIGO TESTAMENTO
NOVO TESTAMENTO
Se o culpado merecer açoitamento, o juiz ordenará que ele se deite e seja açoitado em sua presença com o número de açoites que o seu crime merecer (cf. Deuteronômio 25:2)
“Aquele servo que conhece a vontade de seu senhor e não prepara o que ele deseja, nem o realiza, receberá muitos açoites. Mas aquele que não a conhece e pratica coisas merecedoras de castigo, receberá poucos açoites (cf. Lucas 12:47,48)


Apenas aquele que reconhece o princípio da proporcionalidade pode compreender o que o salmista expressa no Salmo 98:9 – “Cantem diante do Senhor, porque ele vem, vem julgar o mundo com justiça e os povos, com retidão”, e de Paulo aos Romanos: “E então, que diremos? Acaso Deus é injusto? De maneira nenhuma!” (cf. Rm.9:14).

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

Extraído de meu livro: "A Lenda da Imortalidade da Alma"


-Artigos relacionados:


-Não deixe de acessar meus outros sites:

Apologia Cristã (Artigos de apologética cristã sobre doutrina e moral)
Heresias Católicas (Artigos sobre o Catolicismo Romano)
O Cristianismo em Foco (Reflexões cristãs e estudos bíblicos)
Preterismo em Crise (Refutando o Preterismo Parcial e Completo)




[1] TUREK, Frank; GEISLER, Norman. Não tenho fé suficiente para ser ateu. Editora Vida: 2006.
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3 comentários:

  1. E pensar que até a pouco tempo atrás, antes de conhecer seus sites, eu acreditava nestas crenças pagãs provindas do maligno, para corromper o caráter maravilhoso de nosso Deus, graças a ele por seu intermédio fui liberto destas superstições malignas; que deus lhe abençõe por esse magnífico trabalho. A paz de Cristo.
    Ass Eremilson

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  2. Acredito no princípio da proporcionalidade, vejo como argumento que tem base bíblica, porém acho que fugiu do tema central da doutrina do inferno com pouca ou nenhuma base teológica que o respalde a afirmar que não existirá inferno e tormento eterno.

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    Respostas
    1. Este artigo é apenas uma parte de um todo bem maior publicado no meu livro. Se quiser ver as provas bíblicas, o leia:

      http://www.lucasbanzoli.com/2017/04/0.html

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