
O Testemunho de Eclesiastes - O livro de Eclesiastes certamente que
desperta uma grande curiosidade por parte dos leitores. As filosofias do
“sábio”, filho de Davi (cf. Ec.1:1), sobre a vida pós-morte, apresenta uma
grande recusa da possibilidade de existir vida em um estado intermediário antes
da ressurreição. Do início ao fim de Eclesiastes, vemos que Salomão segue um
princípio e segue essa linha em seus pensamentos. A lógica presente no livro é
que não existe vida após a morte. A partir disso, é comum vermos o autor
igualar a morte dos homens com a dos animais, por exemplo:
“Porque o que sucede aos
filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma
coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a
vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade.
Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó” (cf. Eclesiastes 3:19,20)
A razão pela qual os homens não terem
vantagem nenhuma sobre os animais é que o destino dos dois é o mesmo após a
morte. Nisso fica claro que Salomão não cria em uma natureza dualista do ser
humano, com uma alma imortal que o diferenciasse dos animais. Isso implicaria
em uma evidente vantagem dos homens
sobre os animais! Aliás, já vimos que até aos animais foi designado o mesmo
termo “nephesh hayyah” que foi
designado aos seres humanos (cf. Gn.2:7; Gn.1:20).
No original hebraico a palavra aqui
utilizada por Salomão (cf. 3:19) é ruach-espírito.
Os seres humanos possuem o mesmo espírito-ruach
dos animais e, por isso, não possuem nenhuma vantagem sobre eles. Isso nos
mostra claramente que o nosso espírito-ruach
não é uma “alma imortal” ou algo que garanta imortalidade levando consigo
consciência e personalidade após a morte, pois, se assim fosse, o espírito-ruach dos humanos seria gritantemente
diferenciado do espírito-ruach dos
animais, e Salomão não os igualaria.
É evidente que em vários aspectos temos
vantagens sobre eles; quando, porém, a questão é a natureza e destinos
pós-morte, ambos são absolutamente igualados (cf. Ec.3:19):
ESPÍRITO DO HOMEM E DOS ANIMAIS
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DESTINO DO HOMEM E DOS ANIMAIS
|
MATERIAL DO QUAL FORAM FEITOS
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CONCLUSÃO
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O mesmo (cf. 3:19)
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O pó da terra (cf. 3:20)
|
Feitos do pó (cf. 3:20)
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A vantagem de homens sobre animais no quesito de natureza e destinos
pós-morte não é nenhuma (cf. 3:19)
|
Seguindo essa linha de raciocínio, Salomão
diz também que o destino pós-morte dos tolos é o mesmo do sábios (cf. Ec.2:15),
que o sábio morre do mesmo jeito que o tolo (cf. Ec.2:16), que o destino dos
justos é o mesmo destino dos ímpios (cf. Ec.2:14), que o destino dos homens é o
mesmo dos animais (cf. Ec.3:19), e que todos vão para o mesmo lugar após a
morte (cf. Ec.3:20): “E, ainda que vivesse duas
vezes mil anos e não gozasse o bem, não vão todos para um mesmo lugar?“
(cf. Ec.6:6); “Tudo sucede igualmente a todos; o
mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao
que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que
jura como ao que teme o juramento” (Ec.9:2).
Salomão não
diferenciava o destino dos justos e dos ímpios, tampouco com o dos animais,
porque não cria em uma alma imortal deixando o corpo na morte. Ele não
acreditava em uma alma imortal que era julgada no momento da morte com destinos
diferentes, não existia uma recompensa logo após a morte: o destino de ambos
era o mesmo.
“Assim
que também isto é um grave mal que, justamente como veio, assim há de ir; e que
proveito lhe vem de trabalhar para o vento... Eis aqui o que eu vi, uma boa e
bela coisa: comer e beber, e gozar cada um do bem de todo o seu trabalho, em
que trabalhou debaixo do sol, todos os dias de vida que Deus lhe deu, porque
esta é a sua porção” (cf. Eclesiastes 5:16,18).
Com a realidade
da ressurreição dentre os mortos, é comum vermos os escritores do Novo
Testamento proferirem que a recompensa será dada a cada um no momento da
segunda vinda de Cristo (cf. Mt.16:27; Ap.22:14; 1Pe.5:4; 5; Lc.14:14;
2Tm.4:1), que é quando os mortos serão ressuscitados (cf. 1Co.15:22,23;
1Ts.4:15), para aí entrarem no gozo do Paraíso (cf. Jo.14:2-4; 1Ts.4:15).
Salomão não acreditava na vida imediatamente após a morte e não tinha o foco
centrado na ressurreição como os escritores do Novo Testamento tinham, razão
pela qual, ao invés de escrever focado no momento da ressurreição (como faziam
os escritores neotestamentários), escrevia focado naquele estágio imediatamente
após a morte, antes da ressurreição, que é um estado sem vida.
Mais significativo ainda do que isso são as
comparações que Salomão faz: “Se o homem gerar cem
filhos, e viver muitos anos, e os dias dos seus anos forem muitos, e se a sua
alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto
é melhor do que ele” (cf. Ec.6:3). Qualquer leitor honesto concluirá
que, para Salomão, uma criança abortada é sinal de alguém que perdeu totalmente
o dom da vida. Se ela tivesse automaticamente uma vida no Paraíso ou em algum
lugar garantida entre os salvos, não valeria tal comparação que Salomão faz
neste verso.
E ele continua: “Porquanto
debalde veio, e em trevas se vai, e de trevas se cobre o seu nome. E ainda que
nunca viu o sol, nem conheceu nada, mais descanso tem este do que aquele”
(cf. Ec.6:5). A vantagem de um aborto sobre os vivos não baseava-se em possuir
automaticamente uma vida eterna com Deus, mas sim decorrente do fato de que
“nunca veria o sol”. Entender o pensamento de Salomão é de fundamental
importância para compreendermos a revelação no livro de Daniel:
“E muitos dos que dormem
no pó da terra despertarão, uns para vida eterna, e outros para
vergonha e desprezo eterno” (cf. Daniel 12:2).
Outra comparação que Salomão faz é relatada
em Eclesiastes 9:4, que diz que um cão vivo vale mais do que um leão morto: “Quem está entre os vivos tem esperança; até um cachorro
vivo é melhor do que um leão morto!” (cf. Ec.9:4). É claro que se os
mortos estivessem vivos gozando de bem-aventuranças então um leão morto valeria
muito mais do que um cão vivo! Como Salomão não acreditava em vida após a
morte, então mesmo um “leão”, se estivesse morto, valeria menos até mesmo em
relação a um “cão” vivo!
Vale ressaltar também que, para Salomão,
nós [os que estamos “debaixo do sol”] somos os únicos vivos. Não existem vivos
em algum outro lugar. Quem está entre os vivos somos nós, que ainda temos esperança. O verso seguinte também elucida o
anterior mostrando o porquê do cão vivo valer mais do que um leão morto: porque
os mortos não estão cônscios de coisa alguma:
“Porque os vivos sabem que
hão de morrer, mas os mortos não sabem
coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, mas a sua memória fica
entregue ao esquecimento. Também o
seu amor, o seu ódio, e a sua inveja já
pereceram, e já não têm parte alguma para sempre, em coisa alguma do que se
faz debaixo do sol”
(cf. Eclesiastes 9:5,6)
Aqui Salomão apenas reitera aquela linha de
raciocínio que ele já mantém desde o início de seu livro, desta vez de forma ainda
mais direta: os mortos não sabem de coisa nenhuma (cf. Ec.9:5), tem a memória
entregue ao esquecimento (cf. Ec.9:5), e sentimentos de amor, ódio e inveja já
pereceram (cf. Ec.9:6). Como os imortalistas respondem a evidência de
Eclesiastes? A maioria afirma que tudo isso se limita ao que acontece “debaixo
do sol”. A expressão “debaixo do sol” se refere realmente ao nosso mundo;
porém, Salomão a usou porque na mente dele não há a mínima ideia de que os
mortos cheguem a outro lugar! Os hebreus não pensavam como os gregos. De fato,
Salomão fala muito das coisas que acontecem “debaixo do sol”, como em
Eclesiastes 9:6:
“Amor, ódio e inveja já
pereceram, e já não têm parte alguma para sempre, em coisa alguma do que se faz
debaixo do sol” (v.6)
Aqui ele diz que as coisas que acontecem
debaixo do sol (tais como amor, ódio e inveja) já não são possíveis para os
mortos, que não sabem de “coisa nenhuma”
(v.5). Ele não está dizendo que os mortos não desfrutam de amor, ódio e inveja
debaixo do sol, mas sim que os
sentimentos de amor, ódio e inveja não
são possíveis aos que já morreram, mas apenas aos que estão debaixo do sol,
isto é, aos vivos. As interpretações tendenciosas dos imortalistas em suas
tentativas de negarem o óbvio do texto bíblico se mostram completamente
fracassadas quando se deparam com uma interpretação de texto simples e ao mesmo
tempo precisa.
Se, portanto, o sentimento de amor só está
presente entre os vivos, ou seja, entre aqueles que estão debaixo do sol, então
só nos restam duas alternativas: ou os mortos estão realmente inconscientes,
isto é, sem vida; ou, então, eles estão vivos em algum lugar e não tem amor por
ninguém! Qual é o mais provável? Que o sentimento de amor já não exista entre
os mortos ou que ele não exista exatamente porque são os próprios mortos que não estão com vida?
Além disso, é extremamente impreciso dizer
que Salomão só se preocupava com os vivos, pois ele fala também com relação à
vida no além, fala do estado dos mortos:
“Tudo quanto te vier à mão
para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde vais, não há obra, nem projetos, nem
conhecimento, nem sabedoria alguma” (cf. Eclesiastes 9:10)
Fica claro que também no além, na
“habitação dos mortos”, não existe qualquer atividade ou sabedoria. O original
hebraico traz neste verso a palavra “Sheol”, transliterado para Hades no grego
do NT. Para os defensores da imortalidade, este lugar é referência a “habitação
consciente dos espíritos”. Salomão liquida com isso usando as palavras
hebraicas ma`aseh', cheshbown e chokmah, que de acordo com a Concordância de Strong, tais palavras
transliteradas demonstram que os mortos:
Evidentemente um
estado de completa inconsciência.
O Espírito Santo não “inspirou errado” o
livro de Eclesiastes, e tentar negar todas as evidências deste livro como prova
contra a imortalidade da alma é no mínimo estar com a mente totalmente fechada
para o conteúdo geral do livro, é negar todo um raciocínio que o autor mantém
desde o princípio de seu livro. Fica claro, diante de todas as evidências,
passagens bíblicas, bem como a linha de raciocínio que Salomão segue desde o
seu início, que ele não cria de maneira nenhuma em qualquer “alma imortal” que
sai do corpo no instante da morte. A visão de Salomão não é única, mas reflete
uma regra do AT: não existe a
imortalidade da alma.
Outro argumento bastante utilizado por
alguma parte dos defensores da imortalidade intrínseca com relação ao livro de
Eclesiastes é que ele não acreditava que pudesse existir vida em qualquer era
futura. Sendo assim, o argumento deles é que, se nos basearmos no livro de
Eclesiastes como evidente prova contra o estado intermediário, teríamos que
negar também qualquer vida futura – até mesmo por meio de uma ressurreição –
porque (segundo eles) Salomão não acreditava em nenhum tipo de vida para
nenhuma era.
Esse argumento falha em dois pontos principais.
Em primeiro lugar, porque seria o mesmo que negar que o Espírito Santo dirigia
Salomão em seus ensinamentos. Se o Espírito Santo dirigia os ensinamentos dele
e ele conta um “engano”, seria o mesmo que afirmássemos que o Espírito Santo
“inspirou errado” e escreveu mentiras e enganações na Bíblia Sagrada, o que é
um ultraje contra a divindade. Se, contudo, tomarmos o outro ponto (de que
Salomão não estava inspirado), então
deveríamos também negar a Bíblia como regra de fé, pois ela não seria
considerada “segura” em seus ensinamentos.
Afinal, se Salomão pôde escrever bobagens e
ensinar doutrinas erradas e antibíblicas aos seus leitores – e está na Bíblia –
quem pode nos garantir que não existam outros vários erros doutrinários
presentes nos demais livros que também fazem parte do cânon bíblico? A única
maneira de salvaguardar a inspiração das Escrituras e a infalibilidade
(segurança) doutrinária dela é admitindo também a inspiração de Eclesiastes no
mesmo nível dos demais livros.
Ademais, se Salomão errou ao escrever isso,
deveríamos também negar que toda a Escritura (incluindo Eclesiastes, é claro) seja
divinamente inspirada, e deste modo estaríamos chamando o apostolo Paulo de
mentiroso, pois ele afirmou que “toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o
ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim
de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa
obra” (cf. 2Tm.3:16), e não apenas parte dela. Aqui vemos que a Escritura é útil não somente
para aperfeiçoar o caráter das pessoas (como alguns pensam), mas também como “ensino”,
isto é, em questões doutrinárias.
Em segundo lugar, é um completo equívoco
dizer que Salomão desacreditava completamente que os mortos ressuscitariam um
dia. Tão certo como ele desacreditava completamente em que os atuais mortos já
estivessem vivos em sua época em algum tipo de “estado intermediário” (cf.
Ec.9:5,6; 9:10), também é certo que ele sabia muito bem que Deus haveria de
julgar a cada um pelo que fez e lhes conceder uma vida eterna (aos justos). De
fato, Salomão fala da "eternidade" no coração humano (cf. Ec.3:11) e
de imortalidade quando ele declara que o homem um dia irá "à casa eterna" (cf. 12:5).
Ele enfatiza também que devemos temer ao
Senhor porque num certo dia "de todas estas
coisas Deus nos pedirá contas" (cf. 11:9). A realidade do dia do
Juízo quando estaremos diante de Deus é reiterada por ele no capítulo seguinte,
quando ele conclui o livro dizendo que “Deus trará
a julgamento tudo o que foi feito, inclusive tudo o que está escondido, seja
bom, seja mal” (cf. Ec.12:14). Isso é claramente uma menção ao juízo que
acontece na segunda vinda de Cristo. Portanto, a partir de Eclesiastes, podemos
perceber o que é abaixo relatado:
VIDA TERRENA
|
ESTADO INTERMEDIÁRIO
|
RESSURREIÇÃO (JUÍZO) PARA A VIDA ETERNA
|
A breve vida em que passamos “debaixo do sol”
|
Um estado em que os mortos se encontram atualmente e
que Salomão define como “sem inteligência, razão,
conhecimento ou sabedoria” (cf. 9:10), e que “os
mortos não estão cônscios de coisa alguma” (cf. 9:5), sendo que os
sentimentos como “amor, ódio e inveja já
pereceram” (cf. 9:6)
|
Um estado de vida em que Salomão acentua que estaremos em “moradas eternas” (cf. 12:5) e que certamente
passaremos pelo juízo de Deus que nos julgará por tudo o que fizermos (cf.
11:9; 12:14)
|
Outra prova clara
de que o livro de Eclesiastes não contradiz o restante dos ensinamentos
bíblicos neotestamentários é o fato de que ele próprio escrevia sabendo que o
espírito retornava para Deus por ocasião da morte: “E
o pó volte à terra, como o era, e o espírito volta a Deus, que o deu” (cf.
Ec.12:7). Este ensino não é contrário ao do NT, pelo contrário, corresponde
exatamente ao ensino neotestamentário: “Pai ao
Senhor entrego o meu espírito. E com estas palavras morreu” (cf.
Lc.23:46). Note que o que Salomão declara em Eclesiastes é exatamente aquilo
que é confirmado pelo NT. Salomão, que sabia muito bem que o espírito subia
para Deus, afirmava também categoricamente, neste mesmo livro, que os mortos não
estão conscientes de coisa alguma (cf. Ec.9:4,5; 9:10) e que o homem possui o
mesmo espírito-ruach dos animais,
tendo o mesmo destino que eles tem ao morrerem (cf. Ec.3:19).
A palavra usada
no original hebraico de Eclesiastes 9:10 é “Sheol”, que para os imortalistas é
a morada dos espíritos, que se localiza nas regiões inferiores desta terra (cf.
Ef.4:9; Mt.12:40; Mt.11:23). Tanto isso não é verdade que Salomão afirma que o
espírito [de todos] sobe para Deus
(cf. Ec.12:7), e sabia que neste local não existia nenhum tipo de sabedoria ou
conhecimento (cf. Ec.9:10), que os mortos não sabiam de nada (cf. Ec.9:5), e
iam todos [justos ou ímpios] para o mesmo lugar após a morte (cf. Ec.3:20).
Em outras palavras, Salomão sabia que o
espírito subia para Deus, mas também sabia que não tinha parte alguma com alguma
“entidade viva e consciente” que nós levamos conosco após a morte. Vemos
claramente que Salomão não contraria os ensinos neotestamentários, ao
contrário, concorda com eles:
ECLESIASTES
|
NOVO TESTAMENTO
|
“E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volta a Deus, que o
deu” (cf. Ec.12:7)
|
“Pai ao Senhor entrego o meu espírito. E com estas palavras morreu” (cf. Lc.23:46)
|
RESULTADO
|
RESULTADO
|
Mesmo
assim os mortos não sabem de nada (cf. 9:5) e não tem amor, ódio ou inveja
que já não existem para eles (cf. 9:6), que não tem inteligência, razão, conhecimento ou sabedoria (cf.
9:10)
|
Mesmo
assim Jesus não havia subido ao Pai mesmo três dias depois de ter sido
ressuscitado (cf. Jo.20:17)
|
Sendo assim, Eclesiastes não representa
nenhuma contradição com o restante da Bíblia e podemos chegar à fácil conclusão
de que o Espírito Santo não inspirou errado nenhum escritor bíblico. Tal
testemunho de Eclesiastes reflete todo o pensamento do Antigo e do Novo
Testamento, como veremos mais adiante. Tudo o que Salomão fez, e que
comprovamos até aqui, é negar absolutamente qualquer imortalidade da alma em um
estado intermediário, pois ele não havia sido influenciado pela filosofia grega
de dualismo que viria mais tarde.
Embora seja verdade que ele ressaltasse
muito mais o período sem vida entre a
morte e a ressurreição, também é fato que ele cria que um dia viria o juízo (cf.
Ec. 11:9; 12:14) e uma vida eterna (cf.
Ec.12:5). Portanto, ele pode ser usado como prova de alguém que cria em vida
futura após o juízo, mas não cria na imortalidade da alma, pois não aceitava um
estado já consciente dos mortos atuais em algum estado intermediário entre a
morte e a ressurreição.
O “espírito” que subia para Deus (cf.
Ec.12:7) não era uma alma imortal, mas a própria vida humana de todos os
homens, justos ou pecadores. Por isso, alegar em cima desta passagem a
“imortalidade da alma” significa negar todo o restante do livro de Eclesiastes
que explicitamente nega isso, e também inferir que os ímpios assim como os
justos estarão com Deus após a morte, quando apenas os justos deveriam estar
com Ele. Afinal, segundo Salomão é o espírito de todos os homens que
volta a Deus após a morte, e não apenas o dos justos ou daqueles que merecem o
Céu (cf. Ec.12:7).
Sendo assim, é correto afirmar que Salomão
não via o espírito como sendo uma alma imortal ou alguma entidade incorpórea e
consciente que leve consigo personalidade e racionalidade após a morte, motivo
pelo qual ele declara que os animais possuem exatamente o mesmo espírito-ruach possuído pelos seres humanos (cf.
Ec.3:19) e, por conta do fato de que o espírito presente em ambos serem o
mesmo, o destino de ambos após a morte também seria o mesmo: o pó da terra (cf.
Ec.3:20).
O que nos
distingue dos animais no que tange à vida após a morte, tanto para Salomão como
também para os demais escritores bíblicos, não é que nós sejamos possuidores de
uma alma-nephesh e os animais não, ou
que nós sejamos detentores de espírito-ruach
e os animais não, mas sim que nós
ressuscitaremos do pó, e os animais não. Por isso ele diz em Eclesiastes
3:21 que o nosso espírito volta para Deus (que soprará novamente em nós pela
ressurreição, tornando-nos novamente “almas viventes”), mas o dos animais volta
à terra (de onde não tem mais volta).
Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli.
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[1] Léxico da Concordância de Strong, 4639.
[3] Léxico da Concordância de Strong, 2451.
muito bom
ResponderExcluirvlw :)
ResponderExcluirDesculpe fala muito de Salomão.
ResponderExcluirDeveria falar mais de Cristo.
Sou um ateu convicto e nao acredito em nada disso! Por q como voces leram a própria biblia tem muitas contradicoes!
ResponderExcluirEntão eu lhe recomendo a leitura do meu livro: "Deus é um Delírio?":
ResponderExcluirhttp://ateismorefutado.blogspot.com.br/2015/03/novo-livro-deus-e-um-delirio.html
"Desculpe fala muito de Salomão.
ResponderExcluirDeveria falar mais de Cristo."
RESPOSTA: O que Salomão escreveu na Bíblia, escreveu sob inspiração do Espírito Santo. Dizer que Salomão estava errado, neste sentido, é o mesmo que dizer que o Espírito Santo falhou.
Ele fala de Salomão pra entendermos o que acontece quando morremos,pq Salomão fala justamente isso é Cristo apenas prega a palavra.
ResponderExcluirEu entendo que Salomão quer que nós fique sabendo que quando morremos não vamos imediatamente para Deus ou para o céu ou inferno nós ficaremos inconsciente em um sono profundo até o dia do juízo final ou seja os que morreram estão dormindo até o dia que todos serão ressuscitado ou seja retirado do pó pra ser julgado é isso que ele quer q vcs entendam.
Muitos acham que todos os que morrerem a alma da pessoa sair do corpo e vai para o céu ou inferno instantaneamente mas não é assim é o próprio Jesus fala sobre a ressurreição se já estamos com Deus pq nós iremos ressuscitar? Não faz sentido né , e em apocalipse diz tbm que haverá o juízo final em que Deus irá julgar todos os seres humanos ae sim uns viveram eternamente com Deus e outros iram viver eternamente no inferno
Muito interessante e esclarecedor, porém , como fica a questão da parábola do Rico e o Lazáro onde ambos tem consciência da sua posição física e uma personalidade que sente dor, sede e toda sorte de sentimentos.
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