Desmistificando a lenda de uma alma imortal

24 de setembro de 2013

Os dois destinos finais: vida ou morte


“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu o seu filho único, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (cf. João 3:16)

Esse versículo que você acabou de ler é, provavelmente, a passagem mais conhecida de toda a Bíblia. Mas talvez seja uma das menos bem compreendidas. Transmite exatamente a realidade do amor de Deus até mesmo pelo maior dos pecadores, ao ponto e dar o Seu único filho pela redenção da humanidade. Além de ser um dos textos mais belos de toda a Bíblia, ele nos apresenta uma realidade que veremos a partir de agora: A Realidade dos dois Destinos.

Vida e Cessação de vida (não-vida) – Em João 3:16, Cristo afirma que Deus o enviou para que todo aquele que crê não pereça, mas tenha uma vida eterna. Aqui contrastam-se dois destinos finais, mas não entre vida eterna e tormento eterno, nem tampouco entre vida eterna no Céu ou no inferno, mas entre vida e morte, entre perecer ou viver eternamente. É evidente que o “perecer” não pode indicar aqui um prosseguimento eterno de existência, porque está em contraste com uma vida eterna, ou seja, com uma existência sem fim. Portanto, “perecer”, neste contexto, não está em um sentido meramente espiritual, como “entrar em ruína” ou “perder-se”, queimando eternamente num inferno, mas no sentido de cessação de vida, dando razão ao contraste que aqui é estabelecido.

A realidade dos dois destinos é evidente, são dadas duas escolhas para a humanidade: ou você tem uma vida eterna (imortalidade) que é por meio do evangelho (cf. 2Tm.1:10), ou... você “perece”. O contraste é exatamente entre a vida e a morte, não como uma simples morte espiritual com uma existência eterna e infindável, mas como literalmente uma destruição completa na qual passam os ímpios em contraste com uma imortalidade que é por meio do evangelho.

É morte como a cessação de vida, como a não-vida. Essa é a realidade entre os dois destinos: imortalidade ou mortalidade. Isso explica o porquê que a imortalidade é por meio do evangelho (cf. 2Tm.1:10) e o porquê dela ter que ser buscada (cf. Rm.2:7): porque nem todos alcançam a imortalidade, mas somente aqueles que a atingem por meio de Cristo se fazem dignos de receber este dom de Deus. Aqueles que desprezam o evangelho não tem uma imortalidade e nem uma vida eterna em algum lugar, pois a imortalidade é mediante o evangelho (cf. 2Tm.1:10).

O destino destes é “perecerem”, e não de “viverem eternamente” em algum lugar. Evidentemente a destruição dos ímpios não pode ser eterna em duração porque é impossível imaginarmos um processo eterno, infinito e inconclusivo de destruição. A destruição presume aniquilamento, morte no sentido de cessação de vida. Apenas “aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (cf. 1Jo.2:17). Se alguém não faz a vontade de Deus, não permanece para sempre, não obtém uma eternidade. Isso explica o porquê da vida eterna ser considerada um dom de Deus (cf. Rm.6:23), e nenhum ímpio tem um dom divino para viver eternamente em algum lugar.

Apenas aqueles que comem o pão da vida viverão eternamente (cf. Jo 6:51), e é inconcebível pensar que todos os ímpios desfrutam abundantemente do pão da vida para viverem eternamente em algum lugar herdando também o dom da imortalidade concedido apenas por meio do evangelho. Os dois destinos que são apresentados em João 3:16 se opõe contrastivamente entre a imortalidade concedida como um dom aos justos e a destruição completa dos ímpios no juízo final, denotando a total cessação de existência.

O contraste é entre vida e não-vida, entre imortalidade e destruição, entre a vida eterna e a cessação de vida. Tal contraste também é acentuado pelo próprio Deus no livro de Ezequiel: “Ele não morrerá por causa das iniquidades do seu pai, certamente viverá (cf. Ez.18:17). Aqui a morte não é para essa vida, pois todos morrem para esta vida, tanto justos como ímpios. Deus está falando, evidentemente, do destino final do homem. Nem todos alcançarão a vida:

“Uma vez que o filho fez o que é justo e direito e teve o cuidado de obedecer a todos os meus decretos, com certeza ele viverá. A alma que pecar é que morrerá (cf. Ezequiel 18:19,20)

“Mas, se um ímpio se desviar de todos os pecados que cometeu e obedecer a todos os meus decretos e fizer o que é justo e é direito, com certeza viverá, não morrerá (cf. Ezequiel 18:21)

Teria eu algum prazer na morte do ímpio? Palavra do Soberano, o Senhor. Ao contrário, acaso não me agrada vê-lo desviar-se dos seus caminhos e viver? Se, porém, um justo se desviar de sua justiça, e cometer pecados e as mesmas práticas detestáveis dos ímpios, ele deverá viver? Nenhum de seus atos de justiça será lembrado! Por causa de sua infidelidade de que é culpado e por causa dos pecados que ele cometeu, ele morrerá (cf. Ezequiel 18:23,24)

“Se um justo desviar-se de sua justiça e cometer pecado, ele morrerá por causa disso, por causa do pecado que ele cometeu ele morrerá. Mas, se um ímpio se desviar de sua maldade e fizer o que é justo e direito, ele salvará a sua vida. Por considerar todas as ofensas que cometeu e se desviar delas, ele com certeza viverá, não morrerá (cf. Ezequiel 18:16,28)

Considerar nessas passagens a morte não como a cessação de vida, mas como uma existência eterna, é ferir o texto bíblico que usa morte como antítese de “vida”, que apenas os justos obterão, ainda mais tendo em vista que o justo “salvará a sua vida” (cf. Ez.18:17). Para alguém salvar a vida, consequentemente existe outra opção: a cessação de vida. Se o sentido de vida é literal e é usada em contraste com a “morte”, então esta é literal também. Qualquer coisa que seja usada em contraste com vida, não é uma vida!

A morte aqui não pode ser apenas uma “separação” ou uma meramente espiritual, mas com uma existência eterna, pois isso seria ferir o texto bíblico que usa morte como antítese de “vida”, que apenas os justos possuem. Se alguém não tem vida, chamamos isso exatamente de “cessação de vida”. É o fim total da existência humana. Isso fica mais do que claro em Ezequiel, no capítulo 18, do verso 17 ao verso 32, onde nitidamente o contraste é entre vida versus não-vida (cessação de vida).

Também a “morte” e “vida” aqui mencionadas não podem tratar-se desta presente vida, pelo simples fato de que todos os justos perecem e morrem para esta vida. É uma clara referência entre os destinos finais oferecidos aos seres humanos entre a vida e a morte como a cessação de vida. Também no verso 17 lemos que se um pecador se desviar de sua maldade e fizer o que é direito, ele “salvará a sua... vida”. É evidente que para alguém salvar a sua vida ele tem que ter a opção de não ter vida (não-vida). É a morte claramente identificada como a cessação total da vida.

O mais importante dessas passagens, porém, fica por conta de que ela não expressa um simples pensamento da época, mas é o próprio Deus vivo falando pela boca dos seus profetas. Através do profeta Ezequiel, Deus desmonta com todas as pretensões dos imortalistas, afinal, “porque deveriam morrer, ó nação de Israel? Pois não me agrada a morte de ninguém! Palavra do Soberano, o Senhor! Arrependam-se e vivam!” (cf. Ez.18:31,32). Israel já estava morto espiritualmente, o que fica nítido na descrição dos ossos secos (cf. Ez.37:1), portanto a “morte” que aqui se refere não é uma morte meramente espiritual, mas morte no sentido de cessação de vida, em contraste com a vida eterna.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

Extraído de meu livro: "A Lenda da Imortalidade da Alma"


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