Desmistificando a lenda de uma alma imortal

14 de dezembro de 2012

10 Razões para crer na mortalidade da alma



Embora eu pudesse dar mil razões para não crer nesta doutrina pagã da imortalidade da alma (ou duzentas e seis, como fiz aqui), vou resumir dez provas a favor da mortalidade da alma, para que este artigo não seja demasiadamente longo. Se alguém discordar de algum dos pontos, pode tranquilamente refutar na caixa de comentários, que eu responderei em seguida.


10 RAZÕES PARA CRER NA MORTALIDADE DA ALMA

1º Porque o homem é uma alma, e não possui uma. Gênesis 2:7 nos deixa claro que Deus formou o homem do pó da terra (corpo), soprou nele o fôlego da vida (espírito) e, como resultado disso, o ser humano tornou-se uma alma vivente, e não “obteve” uma. Que o “fôlego da vida” não é uma “alma imortal” implantada no ser humano, isso fica claro pelo fato de que exatamente a mesma palavra, no original hebraico ruach, que é traduzida por “espírito”, é usada tanto em relação aos seres humanos quanto a animais (Gn.7:15; Gn.7:21,22; Ec.3:19,20; Gn.6:17; Sl.104:29). A Bíblia não faz sequer a menor distinção entre eles. O espírito “de toda a carne” entrou na arca de Noé, e não foram apenas seres humanos que lá entraram (Gn.7:15).


2º Porque há várias citações bíblicas da morte da alma. Deus nos diz em Ezequiel 18:4 que “a alma que pecar, essa morrerá” (vs. 4, 20). Da mesma forma, Pedro nos diz que toda alma que não ouvir a esse profeta será exterminada do meio do povo” (At.3:23). Balaão pediu que a sua alma morresse a morte dos justos (Nm.23:10), Deus diz que a alma que profanar o sábado seria eliminada (Êx.31:14), e Josué, ao conquistar Jericó, “exterminou toda a alma [nephesh] que nela vivia” (Js.10:28), e “matou a espada todas as almas [nephesh]” (Js.10:30).

No original hebraico e grego, a alma a alma morre (Ez.18:4), perece (Mt.10:28), é destruída (Ez.22:27), não é poupada da morte (Sl.78:50), é completamente eliminada (Êx.31:14), desce à cova na morte (Jó 33:22), revive na ressurreição [porque estava morta antes disso] (Ap.20:4), é totalmente destruída (Js.10:28), é derramada na morte (Is.53:12), é penetrada pelo fio da espada (Je.4:10), é passível de sofrer decomposição [na sepultura] (Sl.49:8,9), “repousa” na morte (Sl.25:13), é sufocada (Jó 31:39,40), é devorada (Ez.22:25), pode ser assassinada (Nm.35:11) exterminada (At.3:23). Então não, a alma não é imortal!


3º Porque a Bíblia diz que a alma desce à cova na morte. Eliú diz no livro de Jó: “Para apartar o homem do seu designo e livrá-lo da soberba; para livrar a sua alma da cova, e a sua vida da espada”(Jó 33:18). Como vemos, o lugar para onde a alma regressaria seria à cova (sepultura), e não para uma outra dimensão! Também continuamos lendo no mesmo capítulo: Sua alma aproxima-se da cova, e sua vida, dos mensageiros da morte” (Jó 33:22). Novamente é relatado o fato bíblico de que o lugar para onde a alma se aproxima não é para o Céu ou para o inferno, mas para a cova. E novamente continuamos lendo:

“Ele resgatou a minha alma, impedindo-a de descer para a cova, e viverei para desfrutar a luz” (Jó 33:28). A clareza da linguagem é tão evidente que não necessita de maiores elucidações. O lugar para onde a alma iria era para a cova, não era o destino apenas do corpo! Condiz com isso a linguagem do salmista, de que, “se o Senhor não fosse em meu auxílio, já a minha alma habitaria no lugar do silêncio (Sl.94:17), e não de louvores e regozijos no Céu ou de gritarias e berros no inferno.

O rei Ezequias, que ganhou mais 15 anos de vida, sabia que, caso morresse, a sua alma iria para a “cova da corrupção": “Foi para minha paz que tive eu grande amargura; tu, porém, amaste a minha alma e a livraste da cova da corrupção, porque lançaste para trás de ti todos os meus pecados” (Is.38:17).

Por fim, o salmista afirma que a alma sofre decomposição, ao mencionar que “o resgate da alma deles é caríssima, e cessará a tentativa para sempre, para que viva para sempre e não sofra decomposição” (Sl.49:8,9). Ou seja, se a alma não fosse “resgatada” [na ressurreição], ela sofreria decomposição [na cova]. Portanto, a realidade da morte, sepultamento, decomposição e ressurreição não é um processo somente do corpo, mas também da alma, pois o corpo é a alma visível.


4º Porque Deus é o único que possui a imortalidade. Paulo deixou muito claro que Deus é “o único que possui a imortalidade” (1Tm.6:16). Se os seres humanos fossem detentores de uma alma imortal, então eles também possuiriam a imortalidade em seu ser. Entretanto, se Deus é o único que possui a imortalidade, então o homem não a possui, supostamente na forma de uma “alma imortal” que teria sido implantada na natureza humana. Uma análise mais cuidadosa do texto bíblico nos mostra que Deus não apenas é o único que é imortal, mas também é o único que possui a imortalidade [possuir – echôn, no grego de 1Tm.6,16].


5º Porque biblicamente a esperança do cristão não é a imortalidade da alma, mas a ressurreição dos mortos. Paulo declarou no Sinédrio que a sua esperança consistia em ressuscitar dentre os mortos (At.23:6; 24:15; 26:6-8), e não de sua alma partir para o Céu imediatamente após a morte. Biblicamente, o processo de morte iniciado em Adão é revertido, não quando uma alma deixa o corpo e parte em direção ao Céu, mas quando seremos vivificados na segunda vinda de Cristo, através da ressurreição (1Co.15:22,23), que ocorrerá no “último dia” (Jo.6:54; 11:24; 6:44). Como bem disse o professor Gilson Medeiros:

“Por que elas [as almas] precisam deixar o Céu, voltar para o corpo sepultado, ressuscitar e novamente retornar para o Céu? Será que é por causa deste dilema doutrinário, impossível de ser resolvido, que não se vê muita pregação sobre a ressurreição nas igrejas cristãs que creem no estado consciente dos mortos? Pergunte ao seu pastor pentecostal por que ele não prega sobre a ressurreição!” [1]


6º Porque não existe vida antes da ressurreição. Paulo deixou isso claro quando afirmou que, se não há ressurreição dos mortos, então os que dormiram em Cristo já pereceram (1Co.15:18), e que a nossa esperança em Cristo se limitaria somente a esta presente vida (1Co.15:19). Declarou também que, se não há ressurreição, então os que batizam pelos mortos na esperança de uma vida posterior os batizam em vão (1Co.15:29), que os cristãos estariam sofrendo perigos à toa (1Co.15:30), e que seria melhor comer, beber e depois morrer, pois não haveria nada depois da morte (1Co.15:32). Nada disso seria verdade caso a alma fosse imortal e houvesse consciência após a morte no Céu, pois lá estaríamos felizes do mesmo jeito, com ou sem a ressurreição de meros corpos!


7º Porque só seremos revestidos de imortalidade após a ressurreição. Paulo, no mesmo capítulo 15 de 1ª Coríntios, afirmou que é necessário que “aquilo que é corruptível se revista de incorruptibilidade, e aquilo que é mortal, se revista de imortalidade. Quando, porém, o que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal, de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória" (vs. 53-54). Vemos, portanto, que nós não somos atualmente detentores de imortalidade na nossa natureza, mas seremos dotados dela futuramente, na ressurreição dos mortos, e somente então que a morte será tragada (vencida), e não imediatamente após a morte, com uma suposta saída da alma vencendo a morte e obtendo a vida eterna antes da ressurreição.


8º Porque a recompensa só ocorrerá na ressurreição. O Concílio de Trento declarou que nós“somos julgados imediatamente e recebemos a nossa recompensa, para bem ou mal” (Denzinger # 983). Porém, a verdade bíblica é que só seremos recompensados com o Céu por ocasião da ressurreição. Isso fica claro quando o próprio Cristo diz que “a sua recompensa virá na ressurreição dos justos” (Lc.14:14), e não “imediatamente após a morte”. Além disso, a promessa feita a Daniel foi que ele “descansará, e então, no final dos dias, se levantará para receber a herança que lhe cabe” (Dn.12:13).

Portanto, é somente no fim dos dias que Daniel se levantaria dentre os mortos, e somente então ele receberia a sua herança, o paraíso celestial. Não era uma promessa imediata, de algo que ocorreria imediatamente após a morte, mas algo longe, distante, para o fim dos tempos. Ademais, vemos a mesma coisa sendo dita por Paulo: que receberia a sua “coroa da justiça” somente por ocasião da segunda vinda de Cristo, na ressurreição dos mortos (2Tm.4:8), e não antes da ressurreição!


9º Porque a Bíblia nos oferece uma ampla linguagem de aniquilação final. A Bíblia nos diz que os ímpios serão eliminados (cf. Pv.2:22; Sl.37:9; Sl.37:22; Sl.104:35; Is.29:18-20), destruídos (cf. 2Pe.2:3; 2Pe.2:12,13; Tg.4:12; Mt.10:28; 2Pe.3:7; Dt.7:10; Fp.1:28; Rm.9:22; Sl.145:20; Gl.6:8; 1Co.3:16,17; 1Ts.5:3; 2Pe.2:1; Sl.145:20; Sl.94:23; Pv.1:29; 1Ts.5:3; Jó 4:9; Sl.1:4-6; Sl.73:17-20; Sl.92:6,7; Sl.94:23; Pv.24:21,22; Is.1:28; Is.16:4,5; Is.33:1; Lc.9:25; Gl.6:8; 1Ts.1:8,9), arrancados (cf. Pv.2:22), mortos (cf. Jo.8:24; Jo.11:28; Jo.6:47-51; Is.65:15; Rm.6:23; Is.11:4; Pv.11:19; Sl.34:21; Rm.8:13; Sl.62:3; Pv.15:10; Tg.1:15; Rm.8:13; Pv.19:16; Is.66:16; Je.12:3; Rm.1:32; Ez.18:21; Ez.18:23,24; Ez.18:16,28; 2Co.7:10; Rm.6:16; 2Co.3:6; Hb.6:1), exterminados (cf. Sl.37:9; Mc.12:5-9; At.3:23), executados (cf. Lc.19:14,27), serão devorados (cf. Ap.20:9; Jó 20:26-29; Is.29:5,6; Sl.21:9), se farão em cinzas (cf. 2Pe.2:6; Is.5:23,24; Ml.4:3), não terão futuro (cf. Sl.37:38; Pv.24:20), perderão a vida (cf. Lc.9:24), serão consumidos (cf. Sf.1:18; Lc.17:27-29; Is.47:14; Sl.21:9; Jó 20:26-29; Ap.20:9; Is.26:11; Naum 1:10; Sl.21:9; Lc.17:27-29), perecerão (cf. Jo.10:28; Jo.3:16; Sl.37:20; Jó 4:9; Is.66:17; Sl.37:20; Sl.68:2; Sl.73:27; At.13:40,41; Is.1:28; Is.41:11,12; 1Co.1:18; Rm.2:12; 2Co.4:3; 2Co.2:15,16; Lc.13:2,3; Lc.13:4,5; 2Ts.2:10), serão despedaçados (cf. Lc.20:17,18; Mt.21:44; 1Sm.2:10), virarão estrado para os pés dos justos (cf. At.2:34,35), desvanecerão como fumaça (cf. Sl.37:20; Sl.68:2; Is.5:24), terão um fim repentino (cf. Sf.1:18; Pv.24:21,22; Is.29:5,6; 1Ts.5:3; Is.29:18-20; 2Pe.2:1), serão como a palha que o vento leva (cf. Sl.1:4-6; Is.5:24; Is.29:5,6), serão como a palha para ser pisada pelos que vencerem (cf. Ml.1:1,3; Mt.5:13; Hb.10:12,13), serão reduzidos ao pó (cf. Sl.9:17; Is.5:24; Is.29:5,6; Lc.20:17,18; Mt.21:44; 2Pe.2:6), desaparecerão (cf. Sl.73:17-20; Is.16:4,5; Is.29:18-20), deixarão de existir (cf. Sl.104:35), serão apagados (cf. Pv.24:20), serão reduzidos a nada (cf. Is.41:11,12; 1Co.2:6), serão como se nunca tivessem existido (cf. Ob.1:16), serão evaporados (cf. Os.13:3), será lhes tirada a vida (cf. Pv.22:23; Jo.12:25), não mais existirão (cf. Sl.104:35; Pv.10:25). Portanto, não serão atormentados eternamente!


10º Porque um tormento eterno e consciente é contra a moral divina. Alegar que Deus mandaria queimar literalmente entre as chamas de um lago de fogo e enxofre durante toda a eternidade como um processo infindável alguém que pecou durante algumas décadas é inconsistente com a moral divina apresentada nas Escrituras. O princípio básico é o de que Deus é um “justo juiz” (2Tm.4:8). Se até um juiz ímpio não seria capaz de determinar um tormento infinito por pecados finitos, quanto menos Deus, que é o ápice da justiça. Se até alguém que odeia o próximo não seria capaz de atormentá-lo para sempre com fogo e enxofre, quanto menos Deus, que ama até o pior dos pecadores.

Se até alguém que não tem um mínimo de misericórdia não seria capaz de condenar um rapaz de 12 anos, por exemplo, a um lago que arde com fogo e enxofre durante blocos intermináveis de bilhões e bilhões de anos, quanto menos o autor da justiça que é descrito como sendo “cheio de compaixão e misericórdia” (Tg.5:11), pois “a misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tg.2:13). Por tudo isso e muito mais, adotar a imortalidade da alma significa ser condizente com atitudes divinas que seriam totalmente apostas ao amor, caráter, benignidade, justiça e misericórdia de Cristo Jesus, como nos é apresentado na Sagrada Escritura.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli.



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4 comentários:

  1. Mateus 10:28
    28 - E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo.

    O que você me diz desse versículo então, será que a bíblia se contradiz?

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  2. Veja aqui:

    http://desvendandoalenda.blogspot.com.br/2012/12/podem-matar-o-corpo-mas-nao-alma.html

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  3. Lucas, tenho algumas dúvidas. Pode parecer besta ou idiota, mas são minhas curiosidades...
    Um feto que sobre aborto natural ou provocado (tanto faz), ele também pode ser ressuscitado no Juizo Final? Como ele seria julgado, se não cometeu pecados e nem chegou a viver, pisando nesse mundo?
    Digamos que no dia do Juizo, tenha uma criança e que ela seja ressuscitada com Jesus. Lá no Céu, ela ficará criança para sempre ou passará pelo processo de envelhecimento? kkkkkkkkk pode parecer engraçado mas tenho essas dúvidas...

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  4. Os fetos abortados são automaticamente salvos no juízo porque eles não tem pecado. Há duas teorias sobre como seremos na eternidade. A primeira é que todos nós teremos 33 anos, que foi a idade em que Jesus morreu, e a segunda é que todo mundo crescerá naturalmente de idade, apenas não ficará com as marcas da idade (por exemplo, os velhos não ficarão com rugas no corpo, etc). Eu estou mais propenso em aceitar esta segunda visão, e nela os fetos ressuscitam como bebês e vão crescendo, como seria caso tivessem vivido na terra. Mas a Bíblia não é precisa quanto a isso, por essa razão são apenas hipóteses.

    Abraços.

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