Desmistificando a lenda de uma alma imortal

14 de dezembro de 2012

Sobre a minha crença na mortalidade da alma



Este artigo será diferente daquilo que eu costumo passar aqui. Como todos sabem, eu definitivamente não creio na doutrina pagã da imortalidade incondicional da alma e suas vertentes – tormento eterno e consciente em um lago de fogo eterno literal, dualismo entre corpo material e alma espiritual, existência de dois juízos, etc – e as minhas argumentações sobre isso se encontram exaustivamente neste blog e, principalmente, nesta página de meu outro site.

Aqui, porém, não irei exatamente voltar a refutar esta doutrina como já fiz mil vezes, mas explicar como que eu passei a acreditar na doutrina cristã e bíblica da mortalidade natural da alma humana. Muitas pessoas me escrevem perguntando se eu sou adventista ou sobre qual é a minha igreja. A resposta é que não: eu não sou adventista, nunca fui. Respeito imensamente os adventistas, estudei quatro anos em um colégio adventista, já ouvi várias pregações deles, e os considero tão cristãos quanto eu e os demais evangélicos, mas não compactuo com algumas de suas crenças (tais como a guarda obrigatória do sábado e o juízo investigativo).

Nem por isso deixo de considerá-los como povo eleito de Deus. Os seus programas de televisão (na TV Novo Tempo), tais como o “Na Mira da Verdade” e as excelentes pregações do pastor Ivan Saraiva, são mil vezes melhores do que os canais que passam pseudo-apóstolos que se dizem evangélicos e que passam o dia todo pedindo dinheiro na televisão. Portanto, apesar de eu respeitar os adventistas e considerar como um absurdo aqueles poucos evangélicos que os chamam de “hereges”, eu não sou adventista.

Nasci e cresci aprendendo a doutrina da imortalidade da alma. Talvez a primeira coisa que eu tenha ouvido sobre a morte é que a alma é imortal. Sobre ressurreição? Não, isso não era muito importante. Um mero detalhe desnecessário e de menor importância não era ressaltado nas igrejas. Tinha apenas um leve conhecimento sobre ressurreição, mas sobre imortalidade da alma estava na ponta da língua. Fui doutrinado, tanto pelas igrejas que eu frequentava quanto pelos sites apologéticos evangélicos na internet, que a alma era imortal.

Quando comecei a construção de meu outro site (apologiacrista.com), em 2009, eu dediquei uma página para “provar” a imortalidade da alma, baseando-me naquelas mesmas meia-dúzia de passagens bíblicas isoladas que todo bom imortalista sabe de cor: partir e estar com Cristo, as “almas” debaixo do altar clamando vingança, o ladrão da cruz, a parábola do Lázaro, os espíritos em prisão, etc. Passava essas passagens no site achando que era tudo aquilo que a Bíblia tinha a dizer sobre o tema. E, nos debates, sustentava essa mesma posição, inclusive contra adventistas.

Antes de contar como que eu deixei de crer na imortalidade da alma, será necessário começar contando como que tudo começou. Uma daquelas perguntas que todo cristão tem em mente, mas que apenas alguns poucos têm coragem de assumi-las, é sobre como que um Deus de amor, graça, justiça e misericórdia, poderia deixar queimando literalmente entre as chamas de um lago de fogo e enxofre por toda a eternidade os pecadores que durante alguns anos não serviram a Cristo em suas vidas terrenas.

Não é preciso ser um filósofo para entender que tal punição seria injusta. Um tormento infinito por pecados finitos não entrava na minha cabeça, pelo menos não com o Deus que nos é revelado nas Escrituras, que tanto amou o mundo ao ponto de dar o Seu único Filho por todos nós. Se nem eu ou você seríamos tão cruéis e implacáveis ao ponto de mandar o nosso maior inimigo para literalmente as chamas de um fogo eterno, para sofrer terrivelmente para sempre e sem volta, quanto menos Deus, que ama muito mais essa pessoa do que eu ou você!

As explicações que ouvia sobre isso não me eram satisfatórias. Uns diziam que o inferno foi criado para o diabo e seus anjos, e que “por acidente” os não-cristãos vão acabar partilhando do destino do diabo e seus anjos. Mas como Deus é onisciente e sabia muito bem de todo o desenrolar da história humana antes mesmo de criar o homem, fica ainda mais incoerente crer que ele não tenha previsto esse inferno de tormento eterno para os homens pecadores. Na verdade, essa explicação não ajudava nada.

Por esta época, eu comecei a me aventurar a ler vários (muitos mesmo) daqueles relatos de vida após a morte. Li desde pessoas que supostamente foram o Céu, até pessoas que passaram pelo inferno e voltaram. Claro que a maior ênfase e quantidade de relatos era deste último, é lógico. Li desde as visões de Santa Faustina do inferno, até a “divina revelação do inferno” de Mary Baxter, os “23 minutos no inferno” de Bill Wiese, dentre muitas outras “revelações”, as quais eu me amarrava, e tinha toda a credulidade do mundo de que tais visões eram reais.

Na época, eu não tinha qualquer conhecimento bíblico sério sobre o que era realmente o inferno bíblico, apenas tinha aquela visão tradicional de inferno, herdada a nós pela Igreja Católica na Idade Média, ao estilo “Comédia de Dante”. Para mim, o inferno era um local subterrâneo, onde as almas ou espíritos imortais dos pecadores desciam, e lá eram atormentados por demônios, por fogo, por torturas de todos os tipos. O inferno era praticamente uma Disneylândia do demônio, que se divertia à beça torturando os pecadores.

Em outras palavras, ao invés do inferno ser uma punição para o demônio (pois foi “preparado para o diabo e seus anjos” – Mt.25:41), era uma total curtição para ele. Mas não era somente isso que me estranhava nestes relatos “infernais”. Não era preciso ter nenhum conhecimento teológico para perceber que os relatos eram sempre contraditórios entre si (portanto, mutuamente excludentes), e em alguns casos as pessoas encontravam por lá atores famosos, como Michael Jackson, John Lennon, o papa João Paulo II, dentre outros; e os espíritos sangravam, vestiam roupas humanas, tinham pele e ossos.

Tudo isso me parecia muito estranho, para dizer pouco. Mas em todas as visões do inferno a pessoa que foi supostamente levada até lá estava do lado de Jesus, que se mostrava profundamente triste com o sofrimento daquelas pessoas, quase que arrependido. Mas dizia que naquele momento já não restava mais nada a ser feito, pois aquelas pessoas já estariam condenadas por toda a eternidade naquele lugar.

Contudo, ao invés de me conformar com essa explicação, isso piorava as coisas, pois passava a ideia de um Deus que é incapaz de solucionar os problemas ou resgatar as pessoas daquele lugar terrível, que sabia premeditadamente que aquelas pessoas iriam para aquele lugar, e, ao invés de decretar um juízo justo e correspondente aos pecados de cada um, decide por um tormento eterno para todos, indiscriminadamente. Um rapaz de doze anos que não conheceu Jesus teria a mesma pena de Adolf Hitler, que exterminou os judeus.

O diabo, autor do pecado e que peca desde o princípio (1Jo.3:8), ficaria se divertindo torturando aqueles que pecaram somente durante algum tempo. Todas as respostas que lia e ouvia não serviam para melhorar a situação, mas apenas a piorava. E, com medo de questionar se isso é justo ou não e ir parar neste local infernal, tinha receio de questionar o próprio Deus sobre isso, ou de perguntar a outras pessoas.

Afinal, o motor que rege muitos crentes para viverem certinho não é Deus ou a vida eterna, é o fogo do inferno. Muitos crentes querem ser santos à marra, por força de obrigação e não por livre e espontânea vontade de amar a Deus, porque tem medo de morrer no pecado e irem parar neste local infernal. Sendo assim, a real motivação para servir a Cristo acaba sendo escapar do inferno, e não encontrar seu Salvador. Para elas, se um tormento infernal eterno não existisse, valeria mais a pena viver no pecado!

E cristãos firmados sobre o medo do inferno não são cristãos verdadeiros. O cristão tem que estar firmado em Cristo, e somente nEle. Mas isso é muito difícil para alguém que tem em mente a ideia de que, se cometer algum deslize, tem um local embaixo da terra com várias criaturas passando por tormentos colossais nas mãos de criaturas demoníacas com um garfo na mão, junto a um fogo que queima espíritos incorpóreos.

É claro que essa não era a minha única dúvida na fé cristã. Havia muitas outras, mas todas elas se solucionavam facilmente e satisfatoriamente, de um jeito ou de outro, mais cedo ou mais tarde. Não pensem vocês que eu sou um daqueles cristãos que engolem fácil qualquer explicação dada a eles sobre qualquer problema no Cristianismo. Encontrar explicações satisfatórias não foi rápido ou fácil, mas todas as questões acabavam sendo solucionadas, menos... aquele lugar infernal e seu tormento eterno.

Seria mais justo que Deus punisse cada pecador com o tanto correspondente aos seus pecados do que enviar todos juntos para uma mesma condenação de um tormento infinito por pecados finitos. Da mesma forma que eu considerava injusto que não houvesse castigo nem punição pelos pecados, igualmente achava injusto que essa punição fosse eterna para todos, indiscriminadamente. A solução para isso seria um castigo proporcional aos pecados de cada um, e não uma extinção de vida antes de pagar pelos pecados, e muito menos um tormento eterno, que só serviria para perpetuar o pecado, os pecadores, o mal, as blasfêmias e o tormento no Universo para sempre, ao invés de eliminá-lo de uma vez por todas.

Foi então que, lendo um artigo do doutor Samuele Bacchiocchi (o qual eu fiz questão de passar neste blog, e se encontra aqui), eu descobri a verdade sobre o inferno, que consiste em aniquilacionismo, e não em tormento eterno.  É claro que isso não era tudo. Comecei a estudar o assunto e perceber a falácia de todos os outros argumentos imortalistas para um inferno eterno. As alegações do fogo eterno eram biblicamente pelos efeitos do fogo e não pelo processo, o que você pode conferir aqui. E o principal versículo bíblico utilizado por eles, em Mateus 25:46, também era facilmente explicado (o que você pode conferir aqui).

Junto a isso, comecei a estudar a Bíblia seriamente sobre este assunto, e descobri mais de 175 passagens bíblicas que pregam claramente o aniquilamento dos ímpios, as quais eu fiz questão de citar uma por uma em meu livro sobre o tema. Muitas dessas passagens, como em Malaquias 4:1-3, não apenas retratam o aniquilacionismo evidente, como também traça um contraste nítido entre o destino dos justos e ímpios. Enquanto para os justos nasceria o sol da justiça (v.3), os ímpios seriam feitos palha (v.1), não seria deixado nem raiz nem ramo deles (v.1), seriam pisados e feito cinzas debaixo dos pés dos justos (v.3).

Essa linguagem claramente não retratava um prosseguimento eterno de vida para ambos os grupos (salvos e não-salvos), um entre as chamas de um inferno eterno e outro em um Paraíso celestial, mas sim um grupo que herdaria uma vida eterna (imortalidade), e outro que seria extinto, deixando de existir. É por isso que nos é dito que “o ímpio não mais existirá” (Sl.37:10), que serão “reduzidos a nada” (Is.41:12), que Deus “os fará desaparecer” (Sl.73:20), e que “futuro para os ímpios nunca haverá” (Sl.37:38). Tudo isso é linguagem de inexistência, e não de existência eterna em algum lugar.

Descobri, então, que Deus não castiga da mesma forma todos os pecadores com um tormento eterno para todos indiscriminadamente, mas pune a cada um o tanto correspondente pelos seus pecados. Descobri que Deus não dá “infinitos açoites” em ninguém, mas uns receberão “muitos açoites” (Lc.12:47), enquanto outros, por sua vez, receberão “poucos açoites” (Lc.12:48). Descobri, finalmente, a linguagem bíblica que expressa de maneira grandiosa e magnífica a justiça de Deus: que os ímpios serão castigados pelo tanto correspondente aos seus pecados e em seguida eliminados, e não atormentados para sempre.

Essa descoberta foi duplamente libertadora: primeiro, me libertou de um engano bíblico tremendo que é a crença em um inferno de tormento eterno e consciente, baseando-me em uma ou outra passagem isolada, quando a Bíblia por completo rejeita tal doutrina. Segundo, ela me libertou de outro tormento, o psicológico, pois pude ver novamente como que o amor e a justiça de Deus andam de mãos dadas, e que Ele não é incoerente com relação ao destino eterno dos perdidos. Como o próprio Bacchiocchi disse, “a recuperação do ponto de vista bíblico do juízo final pode soltar a língua dos pregadores, porque podem pregar esta doutrina vital sem receio de retratar a Deus como um monstro”.

Mesmo após crer na crença bíblica da destruição eterna dos ímpios e rejeitar a tese do tormento eterno, o fato é que eu continuei crendo no estado intermediário, onde as almas dos justos já estariam com Deus e as dos ímpios já estariam no inferno (ainda que não seja eternamente). Sim, é incoerente crer nisso, pois se a alma sobrevive à morte do corpo é porque ela não morre; ou seja, ela é imortal (i.e, não-mortal). Mas se ela morre na segunda morte, então ela não é imortal! Em outras palavras, crer que a alma sobrevive após a morte e ao mesmo tempo crer que ela perecerá no dia do juízo é ser incoerente: seria o mesmo que dizer que a alma morre e não morre, que ela é e não é imortal.

Portanto, de duas, uma: ou a crença no tormento eterno do inferno é verdadeira, ou então, se não é, a própria imortalidade da alma em um estado intermediário é falsa. Demorou mais algum tempo para descobrir isso, e dessa vez a bomba veio com um nome: ressurreição dos mortos! Sim, essa crença tão esquecida e praticamente abandonada pelos pastores e igrejas da atualidade foi exatamente aquilo que me levou rejeitar a imortalidade da alma.

É certo que as igrejas que pregam a imortalidade da alma, em sua maioria, não rejeitam a ressurreição dos mortos. Porém, isso não muda o fato de que ambas as doutrinas são mutuamente excludentes. Os gregos da época de Cristo, que difundiram enormemente a tese da alma imortal para o mundo, não criam na ressurreição dos mortos, e por isso zombaram de Paulo no Areópago (At.17:32). O luterano Oscar Cullmann logo percebeu esse contraste, e escreveu o livro: “Imortalidade da Alma ou Ressurreição dos Mortos?”, onde ele aborda tal contraste abismal entre ambas as doutrinas.

O fato é que a imortalidade da alma anula completamente o valor e a importância (e principalmente a necessidade) da ressurreição. Prova disso é que raramente se vê pregações focando-se na esperança da ressurreição nos dias de hoje. Desde quando a doutrina pagã na imortalidade da alma entrou no Cristianismo, o foco passou a ser a esperança da imortalidade da alma, e não mais a esperança de ressurgir dentre os mortos na manhã da ressurreição do último dia. O foco mudou completamente.

Da Igreja Primitiva, onde nunca se ouviu falar de “alma imortal” [psiquê athanatos], e que pregava que a única esperança dos cristãos era na ressurreição (como você pode ver clicando aqui), para a igreja atual, onde não se ouve mais pregações sobre a ressurreição, onde ninguém fala que a sua maior esperança é em ressuscitar dos mortos, onde a crença na alma imortal suprimiu a crença fundamental na ressurreição. Rejeitar a imortalidade da alma não é apenas repudiar uma doutrina falsa oriunda do paganismo grego, mas é engrandecer e enaltecer novamente a ressurreição dos mortos, assim como era crida na Igreja primitiva.

Diante disso, chegou o dia em que eu parei para ler 1ª Coríntios, capítulo 15. Nunca vou me esquecer daquele dia. Nunca algum capítulo mexeu tanto comigo. A cada verso que lia, a cada compreensão do ensino de Paulo sobre a ressurreição, eu ria comigo mesmo. Era difícil acreditar que a Igreja se distanciou tanto daquele ensino. Era difícil acreditar que a cada versículo eu me convencia cada vez mais que imortalidade da alma não condiz com ressurreição dos mortos.

Confesso que fiquei pálido quando li no verso 18 Paulo dizendo que, se não fosse a ressurreição, os que dormiram em Cristo já pereceram. Confesso que fiquei mais pálido ainda quando li no verso seguinte que a nossa esperança em Cristo se limitaria somente a esta presente vida. Quanto mais eu lia, mais me convencia que, se não fosse pela ressurreição do último dia, não existiria nada depois da morte. Tanto é que Paulo diz que seria melhor comer, beber e depois morrer (v.32), e estaríamos correndo perigos à toa (v.30).

Nunca havia visto um imortalista pregar essas passagens. E até hoje nunca vi alguém as explicar satisfatoriamente, à luz de sua crença na imortalidade da alma. Afinal, Paulo poderia ter dito que viveríamos no Céu do mesmo jeito sem a ressurreição, estando com nossas almas no Céu sem um corpo. Para os imortalistas, a ressurreição é isso: um detalhe desnecessário. Pra que ressuscitar um corpo morto, se já estamos no Céu? De qualquer forma, na teologia imortalista, a ressurreição é desnecessária e inútil, pois estaríamos com Deus no Céu com ou sem um corpo físico glorioso.

Estaríamos desfrutando das delícias do Paraíso para sempre, do mesmo jeito. Estaríamos com Deus eternamente, independentemente de um corpo se levantar dos mortos ou não. Mas, se a alma não é imortal, então a ressurreição é totalmente necessária. Sem ela, os mortos já teriam perecido para sempre (v.18). Sem ela, não haveria outra vida após a morte, e a nossa esperança seria somente esta vida presente (v.19). Sem ela, é inútil sofrer perseguições por amor a Cristo (v.30). Sem ela, a própria vida é inútil (v.32). Quanta diferença entre imortalidade da alma e ressurreição dos mortos!

Depois, li os versos 51-54, onde vejo Paulo dizendo que seremos dotados de imortalidade somente apósa ressurreição, pois ela não é algo que já trazemos consigo em nossa natureza no presente momento. E vejo também que a morte não é a libertação da alma do corpo, mas o maior inimigo a ser vencido (vs. 54-55), e que só é tragada na ressurreição (v.54). Oh, quão importante, gloriosa e fundamental é a ressurreição!

Para o inimigo, bastou inventar a mentira de que “certamente não morrerás” (Gn.3:4), que o homem rapidamente deixou de lado, arquivado em algum lugar, a sua crença numa ressurreição vindoura. Bastou ensinar que a alma não morre para trazer junto consigo todas as outras heresias que vemos hoje: oração pelos mortos, culto aos mortos, intercessão dos santos falecidos, reencarnação, consulta aos mortos, purgatório, limbo, dentre outras inúmeras heresias perpetuadas não apenas pela Igreja Romana, mas por todas as outras seitas.

O que vemos, na verdade, é que todas as heresias tem como fundamento a crença de que a alma sobrevive após a morte. Sem ela, nenhuma das maiores heresias citadas acima existiria. Sem ela, Satanás não teria um pretexto para fazer com que o povo incrédulo ascenda velas aos mortos, beije imagens deles, se prostre diante de imagens de pau e de pedra, reze a alguém que já faleceu, ore por eles ou os consulte.

A imortalidade da alma foi a primeira mentira inventada por Satanás na história da humanidade (Gn.3:4), porque ela é a base e o fundamento de todas as demais mentiras. Na verdade, a maioria dos evangélicos perdem tempo enquanto refutam a crença no purgatório, intercessão dos santos, imagens, idolatria, culto aos santos, dentre tantas outras heresias, pois elas são apenas a consequência, e não a causa de existirem.

Todas elas são consequências da crença na imortalidade da alma. Destruindo essa maior mentira, todas as outras mentiras caem por terra, sem fazer qualquer esforço, como em um efeito dominó. Enquanto os evangélicos apenas atacarem essas doutrinas em si mesmas, não estarão fazendo qualquer progresso. Só conseguirão quando perceberem que o mal só é cortado se for pela raiz: quando destruirmos a base e o fundamento de todas essas heresias, que é precisamente a imortalidade da alma.

Em resumo, aqui escreve alguém que sempre foi doutrinado com os ensinos de imortalidade da alma e tormento eterno, que sempre frequentou igrejas que criam e creem nisso, que sempre ouviu isso a vida inteira, aí veio a Bíblia e mudou tudo. Como é que isso ocorre? Somente quando estamos com a mente aberta para a verdade. O curioso é que eu já havia lido 1ª Coríntios 15 diversas vezes antes daquele dia. Por que nunca havia notado nada “diferente”? Porque estava com a mente fechada para a verdade.

Enquanto eu estava apenas seguindo uma orientação religiosa proveniente de tradições humanas denominacionais de uma igreja X ou Y, eu podia ler mil vezes aquele capítulo, que iria estar como que com um “véu” espiritual me cobrindo. Mas, uma vez que dispus em meu coração o interesse de descobrira verdade, e nada além da verdade bíblica, eu conheci a verdade, e a verdade me libertou. Todos se deparam com a verdade, mas apenas alguns poucos estão realmente abertos a aceitá-la. Da mesma forma que Cristo bate na porta do coração de cada um de nós, mas só o aceitamos se estivermos dispostos a isso (Ap.3:20), o mesmo acontece com as verdades bíblicas. Certa vez um amigo meu comentou o seguinte:

“Sabe o que acontece, Lucas? O problema é que a gente pode até ampliar alguma coisa sobre isso, mas não vai pegar. Você, e nem eu, ou quem quer que seja, consegue falar tão alto. A coisa talvez até mude, talvez, se quem padronizou o mandamento, no caso a Igreja Católica, reverter o quadro, dizendo que houve um erro. Muitos recebem as mudanças com alegria, satisfação, concordando com tudo, mas em apenas alguns dias elas voltam à crença comum. Pode-se encher isso aqui de textos e mais textos que convençam as pessoas que nada vai resolver. Que se encha isso aqui de argumentos que nos deixem com olhos lacrimejantes de satisfação, com apenas dez dias sem tocar no assunto, as pessoas são novamente empurradas para a crença tradicional ensinada há milênios, no que se refere a esses assuntos”

Essa é a mais pura verdade, e o que eu mais constato nestes tempos em que eu debato sobre isso. A maioria das pessoas não segue a Bíblia, segue uma religião. Não segue Cristo, segue o ensino denominacional mais tradicional. Não falo mal e nem quero desmerecer nenhuma denominação, mas a verdade está somente na Bíblia. Isso vale tanto para católicos, como principalmente para os evangélicos, que dizem seguir a Sola Scriptura.

O que vemos é que muitas pessoas não estão com a mente aberta para decidir pela verdade bíblica. Elas já têm uma verdade pré-estabelecida na mente delas, oriunda da tradição da igreja X, e defendem essa tradição com unhas e dentes, usando a Bíblia não para descobrir a verdade que está nela, mas somente para encontrar pretextos e passagens que possam corroborar com a crença da tradição. Ao invés de fazer um estudo sério e honesto, com a mente totalmente aberta para a verdade, elas já estão com uma verdade pré-concebida na mente delas, e buscam apoio para essa verdade na Bíblia.

Em outras palavras, a Bíblia não é a fonte da verdade para essas pessoas. A fonte da verdade é a tradição denominacional, e a Bíblia é apenas uma fonte para dar pretextos para essa crença. Sendo assim, não me assusta que tantas pessoas leiam 1ª Coríntios 15 a exemplo de como fazem com inúmeras outras passagens bíblicas que desmentem claramente a imortalidade da alma, mas elas continuam batendo nessa mesma tecla.

Enquanto eu estive com a mente fechada, ainda que lesse 1ª Coríntios 15 ou ouvisse falar sobre ressurreição, não a compreendia. Era como os discípulos, que ouviam Jesus falando explicitamente a eles que iria morrer e ressuscitar ao terceiro dia, mas mesmo sendo tão claro, eles mesmo assim não entendiam, pois o seu entendimento estava encoberto (Lc.9:45). Porém, quando estive com a mente aberta para a verdade, a quantidade insuperável de evidências bíblicas era tão grande que precisei fazer um livro sobre isso.

Com 17 anos eu escrevi durante oito meses um livro com mais de 1 milhão de caracteres sobre este tema, no qual expus mais de 2 mil passagens bíblicas, com 206 provas contra a imortalidade da alma, no Antigo e Novo Testamento, isso sem falar da história judaica e dos Pais da Igreja. Confesso que quando eu comecei a escrever o livro, não sabia nem de 1% daquilo que eu acabei escrevendo. Eu talvez tenha sido o que mais aprendi nesse processo. Na época, eu lia o Novo Testamento inteiro todas as segundas-feiras, o que dava aproximadamente 16 horas de leitura contínua e ininterrupta.

Com a mente aberta para a verdade bíblica, não foi difícil achar uma riqueza bíblica que eu jamais teria descoberto se não me lançasse nas Escrituras e mergulhasse nelas. Jamais teria descoberto tudo isso se não fosse por estar com a mente aberta para a verdade bíblica. É claro que a ajuda de apologistas experientes me ajudaram bastante neste processo. Tenho que ser grato a Azenilto Brito (que gentilmente me cedeu uma síntese do livro de Bacchiocchi e que me ajudou muito com os seus brilhantes artigos sobre o tema), ao Samuele Bacchiocchi (já falecido), a Leandro Quadros, a Oscar Cullmann e a tantos outros.

Porém, acima de tudo tenho que ser agradecido a Deus, pois, sem querer de forma alguma me ensoberbecer, o material presente no livro vai muito além de qualquer coisa que eu tenha lido antes sobre o tema. É puramente Bíblia, Bíblia e Bíblia, do início ao fim. E para tudo isso não precisou cair um anjo do Céu me trazendo todas as revelações. Diferentemente de muitos, eu não fui “arrebatado” para ter visões extraordinárias do Céu ou do inferno para escrever o livro.

Eu não tive nenhum sonho, nenhuma revelação, não vi Deus, não tive contato com um anjo poderoso com uma espada na mão, não fui alvo de uma profecia e nem fui arrebatado ao terceiro céu. Tudo isso que eu descobri não foi de forma extraordinária: foi somente lendo a Bíblia. Algo tão simples, mas tão pouco praticado por muitos. Não digo que todos os imortalistas não leem a Bíblia, mas muitos deles leem com a mentalidade fechada e com os princípios das tradições, que já mostrei acima.

Fico imensamente agradecido ao Senhor por ter me dado a honra de militar por essa doutrina tão abandonada de nossas igrejas nos dias de hoje, chamada ressurreição dos mortos, e poder combater a raiz de todas as heresias e primeira de todas as mentiras, chamada imortalidade da alma. É claro que isso me custou caro. Muito caro. Já fui chamado de “herege” por causa disso não poucas vezes. Muitos outros evangélicos perdem o prestígio e consideração que tem por mim por verem que eu prego uma coisa que vai contra a tradição da Igreja deles. Já sabia desse risco desde o início.

Se eu quisesse agradar a homens, estaria pregando aquilo que todo mundo gostaria de ouvir. Se eu quisesse agradar a homens, estaria ensinando que “certamente não morrerás”. Se a minha intenção em Cristo fosse de fazer amigos que dessem um tapinha nas costas e me apoiassem em tudo o que eu dissesse, certamente estaria pregando que possuímos uma alma, e não que somos uma (Gn.2:7). Esse é o preço pago por pregar a verdade, e sinto que pagarei esse preço até o fim da minha vida.

Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus. E, por essa mesma graça, hoje eu fico muito feliz em ver que tantas pessoas já se libertaram dessa doutrina pagã, e hoje estão livres para pregar a ressurreição e a vida. 

Em todos os debates que eu tive sobre este tema depois de ter revisto meu conceito sobre a vida após a morte, apenas serviu para acentuar e confirmar ainda mais firmemente que a imortalidade da alma é uma doutrina antibíblica, fundamentada sobre falácias e argumentos fracos e superficiais, que não resistem a uma exegese séria e criteriosa. Já debati sobre isso com pastores e leigos, com evangélicos e católicos, e a cada debate a verdade prevalece, e cada vez mais pessoas se convencem de que a imortalidade da alma nunca foi uma doutrina bíblica.

Já vi pessoas dizendo que são evangélicas e não adventistas, que criam na imortalidade da alma, mas depois leram aquilo que eu escrevi sobre o tema e abandonaram essa doutrina pagã, mesmo tendo lutado durante um tempo consigo mesmas, pois é difícil rejeitar uma tradição humana quando cremos nela achando que é a verdade. Fico também muito feliz por nunca ter visto em toda a minha vida qualquer testemunho de alguém que aconteceu o inverso: que cria na mortalidade da alma e passou a crer na imortalidade dela.

É claro que um adventista que deixa de ser adventista e torna-se evangélico de alguma outra igreja vai abandonar as crenças adventistas e crer naquilo que a outra igreja diz, da mesma forma que o inverso também ocorre: alguém que era evangélico e passa a ser adventista vai logicamente aderir à mortalidade da alma por associação. Por isso, não estou incluindo tais pessoas. Estou falando daquelas que, mesmo não tendo qualquer rigor religioso que o prenda a uma certa denominação, e mesmo sendo de igrejas evangélicas que ensinam a imortalidade da alma, tornam-se mortalistas sem se tornarem adventistas.

Ou seja, eu nunca vi em toda a minha vida algum caso de alguém que era mortalista, leu a Bíblia honestamente e passou a ser imortalista. Isso nunca ocorreu, e eu desafio qualquer um a mostrar o exemplo de qualquer pessoa que seja. Mas o inverso existe aos montões: cada vez mais pessoas estão abandonando a imortalidade da alma e o dualismo para se tornarem mortalistas e holistas, mesmo sem serem adventistas! Isso não ocorreu apenas comigo, isso ocorre com um percentual gigantesco de pessoas.

Cada vez mais eu vejo testemunhos de pessoas não-adventistas que leram a Bíblia e reexaminaram a sua crença na vida após a morte, passando a crer na vida somente em Cristo e somente após a ressurreição. E sabe por que não ocorre um único caso em que o inverso é que acontece? Porque isso seria um regresso. A verdade nunca escraviza alguém ao erro; a verdade liberta. Por isso, nunca vi o inverso acontecer, mas cada vez mais pessoas (dentre leigos e eruditos) abandonam a crença na imortalidade da alma. Vejamos alguns desses eruditos famosos não-adventistas que reexaminaram o seu exame e adotaram o holismo bíblico:

-Oscar Cullmann, suíço, um dos maiores teólogos que o mundo já viu, luterano, e um dos maiores especialistas em Novo Testamento, escreveu o livro “Imortalidade da Alma ou Ressurreição dos Mortos?”, após ter comprovado que a imortalidade da alma contradiz e anula o valor e importância da ressurreição. O seu livro, que aborda estritamente o Novo Testamento da Bíblia, do qual Cullmann é doutor, foi razão de ataques ameaçadores por parte dos críticos, mas não com argumentos sólidos que o refutassem, mas com apelações de ordem sentimental, psicológica e emocional.  

Sobre o seu livro, Cullmann disse: “Nenhuma de minhas publicações provocou tal entusiasmo ou tão violenta hostilidade”. Ele foi tão ferrenhamente atacado que decidiu deliberadamente manter-se em silêncio durante algum tempo. Mas ele não se deixou intimidar por estes ataques, pois, ao invés de o refutarem, apenas serviram para provar como que tais pessoas não tinham qualquer argumento para refutá-lo, mas somente ataques ad hominem e táticas de escárnio já há muito conhecidas por todos nós, adicionando o ódio já presente no coração de muitos que repudiam os que assim creem.

-Clark Pinnock, foi um grande teólogo canadense cristão, apologista e autor de diversas obras. Ele era um batista congregacional e era professor emérito de Teologia Sistemática, no McMaster Divinity College. Ele foi tão atacado por isso que Norman Geisler e Roger Nicole tentaram excluí-lo da Sociedade Teológica Evangélica em 2003(!), mas a questão foi levada em votação, e por maioria de votos Pinnock manteve-se na instituição, e o próprio Norman Geisler acabou saindo dela após o seu fracasso em tentar expulsá-lo.

Nisso podemos perceber claramente como que muitos que pregam o holismo bíblico são perseguidos simplesmente por pregarem a Bíblia. Ele também faz menção de algumas “táticas de pressão” que são utilizadas frequentemente para desacreditar os teólogos que abandonaram a crença na imortalidade da alma e tormento eterno. Uma dessas táticas tem sido associar tais eruditos com denominações tidas por sectárias, como as testemunhas de Jeová ou a dos adventistas. Ele disse:

“Parece que um novo critério para a verdade foi descoberto, segundo o qual, se os adventistas ou os liberais mantêm algum ponto de vista, esse deve estar errado”

Este argumento, de que uma verdade pode ser decidida por sua associação com algum grupo religioso e que por isso não precisa ser testada por critérios exegéticos, embora seja completamente inútil em uma discussão inteligente, pode causar bastante impacto com os ignorantes que são ludibriados por tal tática. Quantas vezes eu mesmo já passei por isso!

-John Scott, foi um clérigo inglês, um conhecido escritor devocional e defensor da ortodoxia cristã. Mesmo sendo anglicano, ele abandonou o conceito de imortalidade da alma e dualismo da natureza humana e passou a crer no holismo bíblico e na mortalidade natural da alma. Após rever seu exame sobre o tema da vida após a morte, ele escreveu:

“Sinto-me hesitante em ter escrito essas coisas, em parte porque tenho grande respeito pela longa tradição que reivindica ser uma correta interpretação da Escritura, e não a ponho de parte levianamente, e em parte porque a unidade da comunidade evangélica mundial sempre significou muito para mim. Contudo, o assunto é por demais importante para ser suprimido, e estou-lhe grato (a David Edwards) por desafiar-me a declarar meu atual modo de pensar. Não dogmatizo a respeito da posição a que cheguei. Eu a mantenho tentativamente. Mas eu apelo a diálogo franco entre os evangélicos com base nas Escrituras”

Porém, como bem mostrou o doutor adventista Samuele Bacchiocchi, um “diálogo franco entre evangélicos com base nas Escrituras” pode ser muito difícil, se não impossível, de materializar-se. A razão é simples: muitos evangélicos condicionam-se a seus ensinos denominacionais tradicionais, assim como os católicos romanos e ortodoxos orientais. Em teoria, eles apelam à Sola Scriptura; porém, na prática os evangélicos muitas vezes interpretam as Escrituras de acordo com seus ensinos denominacionais tradicionais. Se novas pesquisas bíblicas desafiam suas doutrinas tradicionais, na maioria dos casos as igrejas evangélicas preferirão apegar-se à tradição antes que à Sola Scriptura.

-John William Wenham, foi um respeitado teólogo anglicano e estudioso da Bíblia. Ele dedicou a sua vida ao trabalho pastoral, e seus filhos (Gordon Wenham e Davbid Wenham) também são conhecidos teólogos. Antes de morrer, ele escreveu um livro onde refuta a tese da imortalidade da alma e do inferno eterno. Neste livro (“Enfrentando o Inferno”), ele escreve: “Eu acredito que o tormento eterno é uma doutrina horrível e antibíblica, que tem sido um fardo para a mente da Igreja durante muitos séculos e uma mancha terrível em sua apresentação do evangelho. Eu serei realmente feliz se, antes de morrer, puder ajudar a varrê-lo para fora”. O livro foi publicado logo após a sua morte, e contém refutações às doutrinas da imortalidade incondicional e à natureza temporal do inferno.

-Edward Green, um teólogo britânico e anglicano, apologista cristão e autor de mais de 50 livros.

-Philip Hughes, australiano, foi um clérigo anglicano, e famoso estudioso do Novo Testamento. A partir de 1964, ele se mudou para os Estados Unidos para ensinar em seminários norte-americanos, incluindo o Seminário Teológico de Westminster. Numa importante conferência em 1989 para discutir o que significa ser um evangélico, sérias questões foram suscitadas quanto a se pessoas como John Stott ou Philip Hughes deveriam ser considerados tais, uma vez que adotaram o ponto de vista da imortalidade condicional e da aniquilação dos que não se salvarão. O voto para excluir tais teólogos apenas não se confirmou por pouco.

-David Edwards, sacerdote anglicano, que se tornou o capelão honorário da Catedral de Winchester, em 1995. Em 1990, o arcebispo de Canterbury, Robert Runcie, conferiu-lhe o grau de Lambeth de Doutor em Divindade. Ele aderiu ao aniquilacionismo e escreveu o livro: “Depois da morte: crenças do passado e as possibilidades reais”.

Em suma, eu poderia ficar o dia inteiro aqui mostrando inúmeros teólogos de diferentes segmentos religiosos evangélicos imortalistas, mas que, através de uma leitura sincera e honesta das Escrituras, adotaram a postura bíblica da mortalidade natural da alma humana. Além de todos os citados acima, poderíamos referir aqui também os nomes de Basil Atkinson, Greg Boyd, William Branham, Harold Camping, Charles Fitch, Roger Foster, Fudge Edward, Charles Gore, Henry Grew, Homer Hailey, Emmanuel Pétavel-Olliff, Oliver Chase Quick, Ulrich Ernst Simon, George Storrs, William Temple, John Wenham, dentre tantos outros eruditos e teólogos de renome, que não eram adventistas nem testemunhas de Jeová, e que, mesmo fazendo parte de denominações que pregavam a imortalidade da alma, adotaram a postura de mortalidade após um exame bíblico sério e honesto.

Todos eles poderiam ter mantido a sua crença na imortalidade da alma, o que seria muito mais fácil e confortável para eles. Mas, mesmo sofrendo não poucas vezes a oposição e perseguição de ataques contrários, eles não puderam fechar os olhos para as tão grandes e notáveis evidências bíblicas que combatem tão fortemente a crença na imortalidade da alma, que pode enganar leigos, mas que dificilmente resiste a um exame bíblico criterioso de quem tem a mente aberta para a verdade.

O interessante é que absolutamente NUNCA aconteceu o inverso. Nunca algum erudito bíblico mortalista passou a ser imortalista após ler a Bíblia. Sabe por que isso nunca ocorreu na história? Simplesmente porque isso seria um regresso. Uma leitura bíblica sincera liberta para a verdade, e não aprisiona ao erro. A tendência cada vez mais é de que, entre os leigos, aconteça o mesmo que já acontece há séculos com os eruditos: cada vez mais pessoas estão se unindo à visão bíblica holista da natureza humana, e rejeitando a mentira satânica de que “certamente não morrerás” (Gn.3:4).

É claro que ainda existem aqueles que hesitam, que perseguem, que chamam os outros de hereges sem examinar a si mesmos, que olham torto e que são fechados para a verdade. Isso sempre existiu, e sempre existirá. Paulo foi debochado pelos gregos, porque pregava a ressurreição dos mortos, e eles a imortalidade da alma (At.17:32). Por isso, não é de se surpreender que a mesma coisa aconteça nos dias de hoje.

Mas a minha alegria é ver que não estou sozinho nesta batalha – estou cercado de tão grande nuvem de testemunhas, entre leigos e eruditos, das mais diferentes denominações religiosas, que cada vez mais estão abrindo os olhos para a verdade e se libertando do engano. Destes, sou apenas mais um militante.  Apenas mais um que, ao invés de iludir você dizendo que certamente não morrerás, digo que Deus é o único que possui a imortalidade, mas que Cristo é a ressurreição e a vida.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli. 


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14 comentários:

  1. Uau! Que libertador! O Espírito do vivo Deus nunca deixará os seus enganados. Eu li tudo, todo conteúdo, mas só a leitura de Gn.3:4 com olhos abertos para verdade foi suficiente. Que coisa incrível em... toda mentira do diabo num tão pequeno versículo. Muito forte irmão. Uhuu!!! Valeu de mais!!! Quanto a perseguição lembre-se que os religiosos chamaram o próprio Cristo de demônio por muitas vezes, depois pára para contar... foram várias vezes! A verdade liberta. Uhuu!!!

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  2. Irmão,na verdade não digo mentes fechadas mais vou além disso,são mentes escravizadas e cautezidas.
    Paz e Graças

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  3. Infelizmente é assim, José Domingos. Deus lhe abençoe!

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  4. Prezado Lucas, ao ler seus relatos sobre sua crença na mortalidade da alma, um filme se passou em minha mente; pois, parecia que eu estava relendo minha história. A maioria das coisas que ocorreram contigo, também se passaram comigo, mas, a exemplo de você, também me libertei das falácias dos imortalistas. Apenas nos divergimos em relação a maneira em que fomos tocados para buscar a verdade, no meu caso, foi ao assistir um programa Adventista que abordava o assunto Imortalidade da Alma. Fiquei surpreso sobre tudo que ouvi naquele programa, e a pergunta foi: e agora, como que fica? Graças a Deus que entrei de cabeça nas Escrituras Sagradas e descobri a verdade revelada. Estou lendo seus artigos e estão sendo valiosos para os meus estudos. Que Deus lhe abençoe e cada dia mias você possa combater as heresias que assolam o povo de Deus! Obrigado! Ailton Linares

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  5. Olá, Ailton, muito legal o seu testemunho. Recentemente eu terminei de escrever um novo livro sobre o tema, se você quiser pode baixá-lo em algum destes dois links:

    • Opção 1:

    http://www.mediafire.com/download/unwbuxzjb9r0ad9/Os+Pais+da+Igreja+contra+a+imortalidade+da+alma.pdf

    • Opção 2:

    http://www.4shared.com/office/WmFGpXv9ba/Os_Pais_da_Igreja_contra_a_imo.html

    Deus lhe abençoe!

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  6. De qual denominação você é?

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  7. Olá Lucas, que prazer falar com vc.Sou sua fã cara, amo seus estudos. Mais sinceramente quando se trata da imortalidade da alma aí tenho meus argumentos claro de que existe o castigo eterno sim. Basta lê o livro de Naum 1:1 ao 3.Pronto! O Senhor é amor sim com certeza, porém ao culpado não tem por inocente, e ainda dá tempo de nos arrepender-mos ,quando ele é tardio em irar-se, mais grande em força. Acredito até que o lago de fogo eterno cada um vai pagar segundo suas obras.O adúltero por exemplo não vai ter o mesmo castigo de um Adolfo Hitler da vida, isso é só exemplo. Embora pra Deus não existe pecadinho e pecadão,tudo é pecado pra Deus. E pra quem acha Deus injusto, leia Isaías 45:6,7,8.

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  8. A sua denominação também é mortalista?

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  9. Olá, a paz.

    Naum 1:1-3 não fala de tormento eterno. Diz apenas que Deus tomará vingança contra os seus inimigos:

    "Peso de Nínive. Livro da visão de Naum, o elcosita. O Senhor é Deus zeloso e vingador; o Senhor é vingador e cheio de furor; o Senhor toma vingança contra os seus adversários, e guarda a ira contra os seus inimigos. O Senhor é tardio em irar-se, mas grande em poder, e ao culpado não tem por inocente; o Senhor tem o seu caminho na tormenta e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés" (Naum 1:1-3)

    De que forma essa vingança ocorrerá? O outro profeta da época, Malaquias, responde:

    "Pois certamente vem o dia, ardente como uma fornalha. Todos os arrogantes e todos os malfeitores serão como palha, e aquele dia, que está chegando, ateará fogo neles", diz o Senhor dos Exércitos. Nem raiz nem galho algum sobrará... Depois esmagarão os ímpios, que serão como pó sob as solas dos seus pés no dia em que eu agir, diz o Senhor dos Exércitos" (Malaquias 4:1-3)

    De fato, o adúltero não vai ter o mesmo castigo que Hitler, e isso só é possível se os dois não ficarem igualmente em um mesmo tormento eterno. Hitler será castigado por bem mais tempo, de acordo com o princípio de Lucas 12:47-48 - uns levam muitos açoites, e outros poucos açoites. Mas ninguém leva açoites pra sempre. Tem um fim.

    Abs!

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  10. Respondendo ao Anônimo:

    Não, minha denominação não é mortalista.

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  11. Ola Lucas Benzoli, gosto dos seus artigos e venho me debruçando sobre eles. Só agora consegui entender melhor sobre ressurreição e imortalidade da alma, mas preciso de melhor esclarecimento sobre os que morrem em Cristo (crentes por exemplo) e os impios. Os que morrem em Cristo estão dormindo, descansando num local chamado Paraíso, e os impios, por sua vez, onde estão, já que o corpo foi destruído e a alma morreu ou seja, deixou de existir? Se é assim, então, não há ninguem ainda gozando no céu e nem impio sofrendo no inferno, é isso mesmo? No dia da ressurreição o que fará Deus? Pega o registro deles, a memoria deles, ou seja, o nome escrito em um livro e autoriza a ressurreição? É isso, porque, se a alma é mortal, não tem nada em lugar nenhum, porque o corpo foi comido pela terra, cremado, queimado ou consumido de acordo com o tipo de morte, a alma morre junto. Me ajude, pelo amor de Deus!

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    Respostas
    1. A morte é o fim da existência para justos e ímpios. A ressurreição os traz de volta à existência, quando Deus sopra o espírito em nosso corpo ressuscitado com as mesmas memórias e personalidade de antes. Tudo isso é bem detalhado no meu livro sobre o tema, dá pra baixar de graça o pdf:

      http://www.lucasbanzoli.com/2017/04/0.html

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