14 de dezembro de 2012

Inferno: tormento eterno ou aniquilacionismo?



INFERNO: TORMENTO ETERNO OU ANIQUILACIONISMO?
(Samuele Bacchiocchi)

O inferno é uma doutrina bíblica. Mas que espécie de inferno? Um lugar onde os pecadores impenitentes queimam para sempre e conscientemente sofrem dor num fogo eterno que nunca termina? Ou um julgamento penal pelo qual Deus aniquila pecadores e pecado para sempre?

Tradicionalmente, através dos séculos, as igrejas têm ensinado e pregadores têm proclamado o inferno como tormento eterno. Mas em tempos recentes, raramente ouvimos os sermões de “fogo e enxofre”, mesmo de pregadores fundamentalistas, que podem ainda estar comprometidos com tal crença. Sua hesitação em pregar sobre tormento eterno provavelmente não é devida a uma falta de integridade em proclamar uma verdade impopular, mas a sua aversão de pregar uma doutrina na qual dificilmente creem.

Afinal, como é possível que o Deus, que tanto amou o mundo que enviou Seu Filho unigênito para salvar pecadores, pode também ser um Deus que tortura as pessoas (mesmo o pior dos pecadores) para sempre, indefinidamente? Como pode Deus ser um Deus de amor e justiça e ao mesmo tempo atormentar os pecadores para sempre no fogo do inferno?

Este paradoxo inaceitável tem levado estudiosos de todas as persuasões a reexaminar o ensino bíblico quanto ao inferno e o castigo final[1]. A questão fundamental é: O fogo do inferno tormenta os perdidos eternamente ou os consome permanentemente? As respostas a esta questão variam. Duas interpretações recentes visando tornar o inferno mais humano merecem uma breve menção.


Opiniões alternativas sobre o inferno

Opinião metafórica do inferno. A interpretação metafórica mantém que o inferno é tormento eterno, mas o sofrimento é mais mental do que físico. O fogo não é literal, mas figurativo, e a dor é causada mais por um senso de separação de Deus, do que tormentos físicos[2].

Billy Graham expressa esta opinião metafórica quando afirma: “Tenho-me perguntado muitas vezes se o inferno não é um fogo queimando dentro de nossos corações por Deus, para comunhão com Deus, um fogo que nunca podemos apagar”[3]. A interpretação de Graham é engenhosa. Infelizmente ela ignora o fato que a descrição bíblica do “queimar” refere não a um queimar dentro do coração, mas a um lugar onde os ímpios são consumidos.

William Crockett também favorece a opinião metafórica: “O inferno, então, não devia ser imaginado como um inferno vomitando fogo como a fornalha ardente de Nabucodonosor. O máximo que podemos dizer é que os rebeldes serão expulsos da presença de Deus, sem nenhuma esperança de restauração. Como Adão e Eva serão expulsos, mas desta vez para uma ‘noite eterna’, onde alegria e esperança estão para sempre perdidas”[4].

O problema com esta opinião do inferno é que ela quer substituir tormento físico por angústia mental. Alguns podem duvidar se angústia mental eterna é realmente mais humana do que tormento físico. Mesmo que fosse verdade, a diminuição do grau de dor num inferno não literal não muda substancialmente a natureza do inferno, pois ele ainda permanece um lugar de tormento sem fim. A solução se encontra não em humanizar ou sanear a opinião tradicional sobre o inferno de modo a torná-lo um lugar mais tolerável onde os ímpios passarão a eternidade, mas em compreender a natureza verdadeira do castigo final o qual, como veremos, é aniquilamento permanente e não tormento eterno.

A opinião universalista do inferno. Uma revisão mais radical do inferno tem sido tentada por universalistas que reduzem o inferno a uma condição temporária de castigos graduados que no fim levam ao céu. Os universalistas creem que Deus afinal terá êxito em levar a todo ser humano à salvação e à vida eterna de modo que ninguém será condenado no julgamento final ao tormento eterno ou ao aniquilamento[5].

Ninguém negará o apelo que o universalismo tem para a consciência cristã, porque toda pessoa que sentiu o amor de Deus almeja vê-lo salvar a todos. Todavia, nossa apreciação pelo interesse do universalista de defender o triunfo do amor de Deus e para refutar a opinião não bíblica do sofrimento eterno não nos devia cegar ao fato que esta doutrina é uma distorção séria do ensino bíblico. Salvação universal não pode ser correta somente porque sofrimento eterno é errado. O alvo universal do propósito salvífico de Deus não deve ser confundido com o fato que aqueles que rejeitam Sua dádiva de salvação hão de perecer.

Embora as opiniões metafórica e universalista representem tentativas bem intencionadas para abrandar o conceito do sofrimento eterno, deixam de reconhecer os dados bíblicos e consequentemente representam mal a doutrina bíblica da punição final dos que não se salvam. A solução razoável dos problemas das opiniões tradicionais se encontra, não diminuindo ou eliminando o grau de dor de um inferno literal, mas em aceitar o inferno tal como ele é: o castigo final e o aniquilamento dos ímpios. Como a Bíblia diz: “O ímpio não existirá” (Salmo 37:10) porque seu “fim é a perdição” (Filipenses 3:19).


O conceito do inferno como aniquilamento

A crença no aniquilamento dos perdidos é baseada em quatro considerações bíblicas: (1) a morte como castigo do pecado; (2) o vocabulário sobre a destruição dos ímpios; (3) as implicações morais do tormento eterno; e (4) as implicações cosmológicas do tormento eterno.

(1) A morte como punição do pecado. O aniquilamento final dos pecadores impenitentes é indicado, em primeiro lugar, pelo princípio bíblico fundamental que o castigo final do pecado é a morte: “A alma que pecar morrerá” (Ezequiel 18:4, 20); “O salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23). A punição do pecado compreende não somente a primeira morte, a qual todos experimentam como resultado do pecado de Adão, mas também o que a Bíblia chama a segunda morte (Apocalipse 20:14; 21:8), que é a morte final e irreversível a ser sofrida pelos pecadores impenitentes. Isso significa que o salário final do pecado não é o tormento eterno, mas morte permanente.

A Bíblia ensina que a morte é a cessação da vida. Não fosse pela segurança da ressurreição (I Coríntios 15:18), a morte que experimentamos seria a terminação de nossa existência. É a ressurreição que converte a morte de ser o fim da vida em ser um sono temporário. Mas não há ressurreição para a segunda morte, porque aqueles que a sofrem são consumidos no “lago de fogo” (Apocalipse 20:14). Este será o aniquilamento final.

(2) O vocabulário bíblico sobre a destruição dos ímpios. A segunda razão compulsiva para crer no aniquilamento dos perdidos no julgamento final é o rico vocabulário de destruição usado na Bíblia para descrever o fim dos ímpios. Segundo Basil Atkinson, o Velho Testamento usa mais de 25 substantivos e verbos para descrever a destruição final dos ímpios[6].

Diversos salmos descrevem a destruição final dos ímpios com imagens dramáticas (Salmos 1:3-6; 2:9-12; 11:1-7; 34:8-22; 58:6-10; 69:22-28; 145:17, 20). No Salmo 37, por exemplo, lemos que os ímpios logo murcharão como a verdura (v. 2); eles “serão desarraigados... e não existirão” (vv. 9, 10); eles"perecerão... e em fumo se desfarão” (v. 20); os transgressores “serão a uma destruídos (v. 38).

O Salmo 1 contrasta o caminho do justo com o dos ímpios. Dos últimos ele diz que “não subsistirão no juízo” (v. 5); mas serão “como a moinha que o vento espalha” (v. 4); “o caminho dos ímpios perecerá(v. 6). No Salmo 145, Davi afirma: “O Senhor guarda a todos que o amam; mas todos os ímpios serão destruídos” (v. 20). Esta amostra de referências sobre a destruição final dos ímpios está em perfeita harmonia com o ensinamento do resto das Escrituras.

Os profetas frequentemente anunciam a destruição final dos ímpios em conjunção com o dia escatológico do Senhor. Isaías proclama que os “transgressores e os pecadores serão juntamente destruidos, e os que deixarem o Senhor serão consumidos (Isaías 1:28). Descrições semelhantes se encontram em Sofonias 1:15, 17, 18 e Oséias 13:3.

A última página do Velho Testamento provê um contraste impressionante entre o destino dos crentes e o dos incrédulos. Sobre aqueles que temem o Senhor, “nascerá o sol da justiça e salvação trará debaixo das suas asas” (Malaquias 4:1). Mas para os incréduls o dia do Senhor “os abrasará... de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo” (Malaquias 4:1).

O Novo Testamento segue de perto o Velho ao descrever o fim dos ímpios com palavras e imagens que denotam aniquilamento total. Jesus comparou a destruição total dos ímpios a coisas como o joio atado em molhos para serem queimados (Mateus 13:30, 40), o peixe ruim que é lançado fora (Mateus 13:48), as plantas daninhas que serão arrancadas (Mateus 15:13), a árvore sem fruto que será cortada (Lucas 13:7), os ramos ressequidos que são lançados no fogo (João 15:6), os lavradores infiéis que serão destruídos (Lucas 20:16), os antediluvianos que foram destruídos pelo dilúvio (Lucas 17:27), o povo de Sodoma e Gomorra que foi consumido pelo fogo (Lucas 17:29), e os servos rebeldes que foram mortos à volta de seu Senhor (Lucas 19:27).

Todas estas ilustrações descrevem de modo gráfico a destruição final dos ímpios. O contraste entre o destino dos salvos e o dos perdidos é um de vida versus destruição. Aqueles que apelam às referências de Cristo ao inferno ou fogo do inferno (gehenna, Mateus 5:22, 29, 30; 18:8, 9; 23:15, 33; Marcos 9:43, 44, 46, 47, 48) para apoiar sua crença num tormento eterno, deixam de reconhecer um ponto importante.

Como John Stott assinala: O fogo mesmo é chamado ‘eterno’ e ‘inextinguível’, mas seria muito estranho se aquilo que nele fosse jogado se demonstrasse indestrutível. Esperaríamos o oposto: seria consumido para sempre, não atormentado para sempre. Segue-se que é o fumo (evidência de que o fogo efetuou seu trabalho) que ‘sobe para todo o sempre’ (Apocalipse 14:11; ver 10:3)”[7]. A referência de Cristo a gehenna não indica que o inferno seja um lugar de tormento infindo. O que é eterno ou inextinguível não é o castigo mas o fogo que, como no caso de Sodoma e Gomorra, causa a destruição completa e permanente dos ímpios, uma condição que dura para sempre.

A declaração de Cristo de que os ímpios “irão para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna” (Mateus 25:46) é geralmente considerada como prova do sofrimento eterno e consciente dos ímpios. Esta interpretação ignora a diferença entre punição eterna e o ato de punir eternamente. O termo grego aionios (“eterno”) literalmente significa “aquilo que dura um período”, e frequentemente refere à permanência do resultado e não à continuação de um processo.

Por exemplo, Judas 7 diz que Sodoma e Gomorra sofreram “a pena do fogo eterno”. É evidente que o fogo que destruiu as duas cidades é eterno, não por causa de sua duração mas por causa de seus resultados permanentes.

Outro exemplo se encontra em II Tessalonicenses 1:9, onde Paulo, falando daqueles que rejeitam o evangelho, diz: “Os quais, por castigo, padecerão eterna destruição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder”. É evidente que a destruição dos ímpios não pode ser eterna em sua duração, porque é difícil imaginar um processo de destruição eterno e inconclusivo.

Destruição pressupõe aniquilamento. A destruição dos ímpios é eterna, não porque o processo de destruição continua para sempre, mas porque os resultados são permanentes. A linguagem de destruição é inescapável no livro do Apocalipse. Lá ele representa a maneira de Deus vencer a oposição do mal a Si mesmo e a Seu povo. João descreve com ilustrações vívidas o lançamento do diabo, da besta, do falso profeta, da morte, de Hades e de todos os ímpios no lago de fogo que é a “segunda morte” (Apocalipse 21:8; cf. 20:14; 2:11; 20:6).

Os judeus frequentemente usavam a frase “segunda morte” para descrever a morte final e irreversível. Exemplos numerosos podem ser achados no Targum, a tradução e interpretação em aramaico do Velho Testamento. Por exemplo, o Targum sobre Isaías 65:6 diz: “Seu castigo será em Gehenna onde o fogo arde todo o dia. Eis, está escrito diante de mim: ‘Não lhes darei descanso durante [sua] vida mas lhes darei o castigo de sua transgressão e entregarei seus corpos à segunda morte’”[8].

Para os salvos, a ressurreição marca o galardão de outra vida mais elevada, mas para os perdidos marca a retribuição de uma segunda morte que é final. Como não há mais morte para os remidos (Apocalipse 21:4), assim não há mais vida para os perdidos (Apocalipse 21:8). A “segunda morte”, então, é a morte final e irreversível. Interpretar a frase de outro modo, como um tormento eterno e consciente ou separação de Deus, nega o significado bíblico da morte como uma cessação de vida.

(3) As implicações morais do tormento eterno. Uma terceira razão para crer no aniquilamento final dos perdidos e a implicação moral inaceitável da doutrina do tormento eterno. A noção de que Deus deliberadamente tortura pecadores através dos séculos sem fim da eternidade é totalmente incompatível com a revelação bíblica de Deus como amor infinito. Um Deus que inflige tortura infinda a Suas criaturas, não importa quão pecadoras foram, não pode ser o Pai de amor que Jesus Cristo nos revelou.

Tem Deus duas faces? É Ele infinitamente misericordioso de um lado e insaciavelmente cruel de outro? Pode Ele amar os pecadores de tal modo que enviou Seu Filho para salvá-los, e ao mesmo tempo odiar os pecadores impenitentes tanto que os submete a um tormento cruel sem fim? Podemos legitimamente louvar a Deus por Sua bondade, se Ele atormenta os pecadores através dos séculos da eternidade? A intuição moral que Deus plantou em nossa consciência não pode aceitar a crueldade de uma divindade que sujeita pecadores a tormento infindo. A justiça divina não poderia jamais exigir a penalidade infinita de dor eterna por causa de pecados finitos.

Além disso, tormento eterno e consciente é contrário ao conceito bíblico de justiça porque tal castigo criaria uma desproporção séria entre os pecados cometidos durante uma vida e o castigo resultante durando por toda a eternidade. Como John Stott pergunta: “Não haveria, então, uma desproporção séria entre pecados conscientemente cometidos no tempo e tormento conscientemente sofrido através da eternidade? Não minimizo a gravidade da pecado como rebelião contra Deus nosso Criador, mas questiono se tormento eterno consciente é compatível com a revelação bíblica da justiça divina”[9].

(4) As implicações cosmológicas do tormento eterno. Uma razão final para crer no aniquilamento dos perdidos é que tormento eterno pressupõe um dualismo cósmico eterno. Céu e inferno, felicidade e dor, bem e mal continuariam a existir para sempre lado a lado. É impossível reconciliar esta opinião com a visão profética da nova terra na qual não mais “haverá morte, nem pranto, nem clamor, porque já as primeiras coisas são passadas” (Apocalipse 21:4).

Como poderiam pranto e dor serem esquecidos se a agonia e angústia dos perdidos fossem aspectos permanentes da nova ordem? A presença de incontáveis milhões sofrendo para sempre tormento excruciante, mesmo se fosse bem longe do arraial dos santos, serviria apenas para destruir a paz e a felicidade do novo mundo. A nova criação resultaria defeituosa desde o primeiro dia, visto que os pecadores permaneceriam como uma realidade eterna no universo de Deus.

O propósito do plano da salvação é desarraigar definitivamente a presença de pecado e pecadores deste mundo. Somente se os pecadores, Satanás e os diabos são afinal consumidos no lago de fogo e extintos na segunda morte que verdadeiramente poderemos dizer que a missão redentora de Cristo foi concluída. Tormento eterno lançaria uma sombra permanente sobre a nova criação. Nossa geração precisa desesperadamente aprender o temor de Deus, e esta é uma razão para pregar o juízo final e castigo.

Precisamos advertir as pessoas que aqueles que rejeitam os princípios de vida de Cristo e a provisão de salvação experimentarão afinal um julgamento terrível e “padecerão eterna perdição” (II Tessalonicenses 1:9). Precisamos proclamar as grandes alternativas entre vida eterna e destruição permanente. A recuperação do ponto de vista bíblico do juízo final pode soltar a língua dos pregadores, porque podem pregar esta doutrina vital sem receio de retratar a Deus como um monstro.

Por: Samuele Bacchiocchi, Ph.D.


Notas e referências

[1] Para um exame de pesquisa recente sobre a natureza do inferno, ver Samuele Bacchiocchi. Immortality or Resurrection? A Biblical Study on Human Nature and Destiny (Berrien Springs, Mich.: Biblical Perspectives, 1997), págs. 193-248.

[2] Ver William V. Crocket, “The Metaphorical View”, em William Crockett, ed., Four Views of Hell (Grand Rapids, Mich.: Zondervan, 1992), págs. 43-81.

[3] Billy Graham, “There is a Real Hell”, Decision 25 (Julho-Agosto 1984), pág. 2. Noutro lugar Graham pergunta: “Poderia ser que o fogo do qual Jesus falou é uma eterna busca de Deus que nunca é satisfeita? Isso, com efeito seria inferno. Estar separado de Deus para sempre, separado de sua Presença”. Ver The Challenge: Sermons From Madison Square Garden (Garden City, N.Y.; Doubleday, 1969), pág. 75.

[4] Crockett, pág. 61.

[5] Basil F. C. Atkinson, Life and Immortality: Examination of the Nature and Meaning of Life and Death as They are Revealed in The Scriptures (Taunton, England: E. Goodman, n.d.), págs. 85, 86.

[6] Idem.

[7] John Stott e David L. Edwards, Essentials: A Liberal-Evangelical Dialogue (London: Hodder and Stoughton, 1988), pág. 316.

[8] M. McNamara, The New Testament and the Palestinian Targum to the Pentateuch (New York: Pontifical Biblical Institute, 1978), pág. 123.

[9] Stott e Edwards, Essentials, págs. 318, 319.


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25 comentários:

vladimir passos disse...

Se o lago de fogo é lugar de aniquilamento, por que não se fala dessa possibilidade nele, antes fala de: atormentados ou para sempre ou séculos dos séculos(Apocalipse 14:11 e 20:10). E o por que Deus ressucitaria os ímpios para depois mata-los ?

Lucas Banzoli disse...

Suas duas premissas já foram refutadas nestes três textos:

http://desvendandoalenda.blogspot.com.br/2013/08/o-que-e-o-lago-de-fogo.html

http://desvendandoalenda.blogspot.com.br/2013/08/introducao-biblica-ao-inferno.html

http://desvendandoalenda.blogspot.com.br/2012/12/o-apocalipse-e-o-tormento-eterno.html

Anônimo disse...

Na visao dos mortalistas, o que aconteceu com a pessoa de Jesus Cristo quando Ele morreu?
Obrigado.

Anônimo disse...

Em Judas 7, Deus diz que os habitantes de Sodoma e Gomorra foram postos por exemplo, sofrendo a "pena do fogo eterno”. Mas , mesmo assim, aqueles impios, um dia, ressuscitarão para serem julgados.
Por que eu tenho que acreditar que isso não ocorrerá novamente depois da segunda morte, ou seja, que os condenados não tornarão a viver? A Bíblia me garante isso?

Anônimo disse...

Pode estar um pouco fora do assunto, mas eu gostaria de perguntar o que você acha do aparecimento da arvore da vida na nova jerusalém? Por que essa árvore aparece lá novamente se as pessoas já receberam a vida eterna?

Lucas Banzoli disse...

Olá. Respondendo às três questões:

1) Depende do mortalista. Se o mortalista não crê na união hipostática, então Jesus morreu totalmente, igual qualquer outro ser humano. Se ele crê, então a parte divina sobreviveu em algum lugar, e a Bíblia não nos dá detalhes quanto a isso. Isso vai depender de uma outra questão, portanto, que não tem nada a ver com mortalidade ou imortalidade da alma.

2) O que prova que a segunda morte é a morte final e definitiva é o termo "eterno", que é empregado após o termo "morte" em João 11:26 e após o termo "destruição" em 2 Tessalonicenses 1:9. Ou seja, essa morte/destruição não é uma cessação de vida temporária (como a primeira morte), mas eterna, irreversível.

3) Eu não creio que a árvore da vida seja uma árvore literal, mas um símbolo da imortalidade (Gn.3:22). Ou seja, o fato da "árvore da vida" estar no Paraíso ao alcance dos salvos após a ressurreição é somente uma representação do fato de que seremos imortais na glória após ressuscitarmos, imortalidade esta que não será desfrutada antes da ressurreição, e nem pelos ímpios.

Abraços.

Lucas Banzoli disse...

Olá. Respondendo às três questões:

1) Depende do mortalista. Se o mortalista não crê na união hipostática, então Jesus morreu totalmente, igual qualquer outro ser humano. Se ele crê, então a parte divina sobreviveu em algum lugar, e a Bíblia não nos dá detalhes quanto a isso. Isso vai depender de uma outra questão, portanto, que não tem nada a ver com mortalidade ou imortalidade da alma.

2) O que prova que a segunda morte é a morte final e definitiva é o termo "eterno", que é empregado após o termo "morte" em João 11:26 e após o termo "destruição" em 2 Tessalonicenses 1:9. Ou seja, essa morte/destruição não é uma cessação de vida temporária (como a primeira morte), mas eterna, irreversível.

3) Eu não creio que a árvore da vida seja uma árvore literal, mas um símbolo da imortalidade (Gn.3:22). Ou seja, o fato da "árvore da vida" estar no Paraíso ao alcance dos salvos após a ressurreição é somente uma representação do fato de que seremos imortais na glória após ressuscitarmos, imortalidade esta que não será desfrutada antes da ressurreição, e nem pelos ímpios.

Abraços.

Anônimo disse...

Voce poderia falar um pouco mais sobre uniao hipostatica de Cristo e qual a sua crença sobre isso?

Anônimo disse...

Como vi, voce acredita em castigo proporcional para os perdidos, exatamente como eu tambem acredito (Lucas 12:48).
Mas voce acredita em recompensa proporcional para os salvos, como parece sugerir Lucas 19:19?

Lucas Banzoli disse...

Sobre a primeira questão:

1) União hipostática é a crença de que Jesus tinha duas naturezas quando esteve na terra, uma divina e uma humana, sendo assim ele tinha todos os atributos divinos como onisciência, onipotência, onipresença, etc. Eu não creio nisso. Eu creio que quando Jesus esteve na terra ele era Deus, não porque estivesse em forma de Deus-Homem, mas porque era Deus encarnado, ou seja, tornando totalmente humano para nos redimir do pecado. Mas isso não tem nada a ver com mortalidade ou imortalidade da alma, na verdade a maioria dos mortalistas que conheço creem na união hipostática.

Sobre a segunda questão:

2) Sim, há níveis diferentes de galardão, uns serão recompensados de forma maior do que outros, mas todos terão a vida eterna por causa da graça de Deus mediante o sacrifício de Cristo.

Abraços.

Anônimo disse...

Tambem estou inclinado a crer que Jesus era 100% humano e que Ele dependia 100% da açao do Espirito Santo que O tomava e operava as obras, sinais e milagres, como por exemplo: andar sobre o mar, passar pelo meio dos judeus sem ser visto, ver o que estava acontecndo à distancia, etc.
Em uma ocasiao, Ele chegou a dizer aos escribas e fariseus que nao era Ele quem fazia as obras, mas o Pai que estava n'Ele (o Espirito Santo).
Concorda?

Lucas Banzoli disse...

Sim. E Lucas escreve que Jesus "curava a todos os oprimidos pelo diabo, porque DEUS ERA COM ELE" (At.10:38), e não "porque ele era Deus". Deus atuava através de Jesus, o que seria dispensável se Jesus já tivesse uma natureza 100% divina na terra.

Anônimo disse...

Eu concordo com voce, mas como entender o fato d'Ele perdoar pecados se somente Deus poderia faze-lo?

Anônimo disse...

Me parece que o proprio Cristo manifestava, em seus discursos, a consciência de ser Deus encarnado. Não só o disse abertamente aos fariseus: “Antes que Abraão existisse, EU SOU”, como os próprios judeus tinham entendido aonde Ele queria chegar: “Não queremos te apedrejar por causa de uma obra boa, mas por causa da blasfêmia. Tu, sendo um homem, pretendes ser Deus!”.

Anônimo disse...

Como você entende a passagem de Fp 2:7, a qual diz que Cristo esvaziou-se a si mesmo? Estaria associada à passagem que diz: "E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse" (Jo 17:5)?
Outra passagem que trata desse tema é 2 Co 8:9, que fala: "Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis". O que o amigo acha dela?
Será que poderíamos dizer que Cristo, enquanto esteve aqui na terra, voluntariamente ficou sem seus atributos relativos de divindade (onisciência, onipotência, onipresença) e reteve seus atributos imanentes (santidade, amor, verdade)?
Paz!!!

Anônimo disse...

Lucas,
Como alguém que é onisciente poderia dizer: "Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai." (Mc 13:32)?

Lucas Banzoli disse...

Vamos lá:

1) Jesus podia perdoar pecados porque ele recebeu esta autoridade do Pai:

"Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados (disse então ao paralítico): Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa. E, levantando-se, foi para sua casa. E a multidão, vendo isto, maravilhou-se, e glorificou a Deus, que dera tal poder aos homens" (Mateus 9:6-8)

Ou seja, segundo o texto, Jesus recebeu do Pai a autoridade na terra para perdoar pecados (esse poder não era imanente a si mesmo).

2) Eu concordo que Jesus tinha a consciência de ser Deus encarnado, inclusive foi exatamente o que eu disse anteriormente: Jesus era Deus encarnado, ou seja, FEITO EM CARNE, o que é diferente de "união hipostática", onde Deus não se "torna" humano, mas apenas se "reveste" de um pedaço de carne.

3) O texto de Filipenses eu interpreto da forma que parece evidente pelo próprio texto, ou seja, que Cristo abriu mão de sua natureza divina quando veio à terra. O texto não diz que ele "esvaziou da sua glória apenas", mas "DE SI MESMO", o que pra mim parece algo muito mais amplo. Já o texto de 2Co. eu acho que não tem a ver com isso, Paulo só está dizendo naquela ocasião que Jesus deixou a riqueza celestial para viver pobre na terra. Eu não sei se dá pra dizer que ele reteve atributos imanentes, porque a Bíblia diz que ele construiu estes atributos com o tempo:

"E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens" (Lucas 2:52)

4) Pois é... não pode. Essa é outra razão pela qual eu penso que na terra Jesus não tinha o atributo da onisciência (senão ele saberia).

Abraços.

Anônimo disse...

Voce entende, entao, que Jesus Cristo era como Adao antes do pacado e que foi ungido pelo Espirito Santo, o qual repousou sobre Ele, conforme Mt 3:16 e Is 61:1-3?

Lucas Banzoli disse...

Sim.

Anônimo disse...

Na sua opiniao, o fato de Deus proibir os judeus de consultar os mortos seria uma indicaçao clara de que a imortalidade da alma é uma HERESIA ou seja uma mentira?

Anônimo disse...

Se voce entende que Jesus Cristo era semelhante a Adao antes do pecado, isso significa que Jesus foi gerado como foi gerado Adão?

Lucas Banzoli disse...

1) Não acho que essa proibição a consultar os mortos tenha algo a ver com a alma não ser imortal. Significa apenas que a consulta aos mortos é errada, mas que a alma não é imortal há um monte de outros textos dizendo isso.

2) Quando disse que Jesus era semelhante a Adão me referia à natureza, ou seja, que Jesus estava na mesma condição de "neutralidade" que Adão estava antes da Queda (depois da Queda, a inclinação natural do homem passou a ser pelo pecado).

Diogo Monteiro disse...

Olá, tenho uma duvida pois, em 1 Pedro cap 3 ver 18-20, o Espirito Santo prega aos espíritos em prisão pré-diluvio. Isso não indicaria um estágio de existência transitória entre a primeira morte e a Juízo final após a morte física?

Abraços

Lucas Banzoli disse...

Comentei sobre este texto aqui:

http://desvendandoalenda.blogspot.com.br/2012/12/os-espiritos-em-prisao.html

Abs!

Diogo Monteiro disse...

Lucas, li o texto. Muito esclarecedor!

Obrigado!

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