Desmistificando a lenda de uma alma imortal

10 de dezembro de 2012

Um pequeno resumo sobre a lenda da imortalidade da alma


Lenda é uma narrativa fantasiosa transmitida pela tradição oral através dos tempos, visando explicar acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais por meio de imaginações e fantasias que vão se modificando através do imaginário popular. No que se tornam conhecidas vão sendo registradas em linguagem escrita. Nenhuma definição mais exata do que essa para a primeira de todas as mentiras implantadas no mundo: a imortalidade da alma, que diz que “certamente não morrerás” (Gn.3:4).

A imortalidade da alma pode ser considerada como a primeira mentira a entrar no mundo e provavelmente a última a sair dele. Isso porque todos os grandes falsos sistemas religiosos existentes no planeta estão fundamentados sobre a mentira de que “certamente não morrerás”. O hinduísmo se baseia nela para fundamentar a sua crença na reencarnação, o espiritismo precisa dela para dar base à sua comunicação com os espíritos, o catolicismo necessita da crença em uma alma imortal para sustentar a intercessão dos santos já falecidos, da oração pelos mortos e do culto aos mortos, e assim por diante.

Em todos os falsos sistemas religiosos a imortalidade da alma atua como o pilar e fundamento de todas as heresias que desviam o homem da verdade. Não foi sem razão que Satanás encontrou nesse mito uma boa razão para implantar todos os seus falsos ensinos que se alastram pelo mundo. Se formos mais fundo, perceberemos que a raiz de toda a idolatria existente no planeta tem por base a crença em uma alma imortal, em “espíritos” que continuam vivos após a morte e seriam dignos de culto, honrarias, veneração e até adoração após a morte. A mentira implantada pela serpente no Jardim deu frutos, e hoje é a base e o fundamento de todas as demais heresias.

Os judeus antes da diáspora nunca creram na imortalidade da alma. Encontrar menções veterotestamentárias sobre um estado inconsciente dos mortos é como encontrar água no Oceano Pacífico. Após a diáspora, já depois de finalizados todos os livros do Antigo Testamento da Escritura Sagrada, os judeus foram influenciados pela cultura helenista (grega) de imortalidade da alma, ganhando uma nova noção daquilo que aconteceria após a morte. Coube, então, aos cristãos, o remanescente do povo de Deus, restaurar as doutrinas verdadeiras e se tornarem verdadeiros embaixadores da crença em uma ressurreição dos mortos, que entra em conflito direto com a crença em uma alma imortal.

Por que tirar alguém que já está desfrutando das delícias do Paraíso em espírito, fazê-lo voltar ao corpo por ocasião da ressurreição na segunda vinda de Cristo e retornar ao Paraíso novamente para continuar do mesmo jeito que estava antes? Qual a necessidade real da ressurreição? Na prática, nenhuma. Este contraste entre imortalidade da alma e ressurreição dos mortos levou vários eruditos e teólogos recentes de diferentes denominações religiosas e reverem os seus conceitos sobre a vida após a morte.

O luterano Oscar Cullmann, um dos maiores teólogos que já pisaram nesta terra e conhecedor profundo do Novo Testamento, escreveu o livro: “Imortalidade da Alma ou Ressurreição dos Mortos”, após rever a sua crença numa alma imortal e perceber que não é compatível com a doutrina cristã do Novo Testamento, que aponta para a ressurreição como sendo a esperança dos cristãos, e não uma alma imortal que partiria conscientemente do corpo após a morte. Isso também foi confirmado por todos os primeiros cristãos dos primeiros séculos, chamados de Pais da Igreja, que durante dois séculos defenderam a crença na ressurreição e negaram a existência de uma alma imortal.

Nomes proeminentes como Inácio, Policarpo, Justino, Clemente, Hermas, Taciano, Arnóbio e Teófilo foram incansáveis defensores da mortalidade bíblica nos primeiros dois séculos de Cristianismo. Posteriormente, filósofos cristãos influenciados pelos ensinamentos de Platão começaram a implantar a ideia de uma existência além do túmulo. Começando por Orígenes, reconhecidamente herege pela Igreja por fantasiar o Cristianismo com teses mirabolantes, a crença em uma alma imortal ganhou fama na Igreja e muitos adeptos, até se tornar o pensamento predominante, sendo fortemente impulsionada por Agostinho, influente Pai da Igreja do quarto século d.C.

Com a Reforma, Lutero passou a pregar que a imortalidade da alma era uma das “monstruosidades sem fim no monte de estrume dos decretos romanos”, mas a opinião de Calvino e de outros reformadores pesou mais forte, e hoje a maioria das denominações cristãs evangélicas se dizem defensoras da tese grego-platônica de imortalidade da alma. Não obstante, este quadro está se revertendo cada vez mais. Grandes nomes na apologética têm surgido das mais diferentes denominações religiosas contestando a tese de que a alma é imortal.

Nomes influentes como os de Clark Pinnock, John Scott, Edward Green, Philip Hughes, David Edwards e o próprio Cullmann, tem levantado novamente o estandarte da ressurreição como sendo o foco e esperança dos cristãos para alcançarem a vida eterna. Convido o leitor a uma análise honesta dos artigos deste blog, para que, com a mente livre e aberta para a verdade, possa decidir entre a lenda de que certamente não morrerás ou a esperança cristã de que Cristo é a ressurreição e a vida.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli.


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