Desmistificando a lenda de uma alma imortal

14 de dezembro de 2012

A esperança da ressurreição dos mortos



O Catolicismo ensina expressamente que os que já morreram em Cristo veem a face de Deus e já estão no Paraíso celestial. Então, para que serve a ressurreição, que acontece na segunda vinda de Cristo (1Co.15:22,23)? Bom, na prática... nada. Mas eu vou dizer o que significa: a sua “alma imortal” ou “espírito incorpóreo” vai deixar o Céu, se religar a um corpo morto, para depois voltar no Céu exatamente como estava antes, só que com um corpo físico! Uau! Que diferença fantástica faz a ressurreição!
 
É de se espantar o fato dos apóstolos darem tanta importância à ressurreição, ao ponto de dizerem que era essa a única esperança deles (At.23:6; 24:5; 26:6-8), se ela se resume simplesmente a isso: na prática... nada. Já estaríamos no Céu. Já estaríamos na presença de Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Então, pra que serve, na prática, uma ressurreição? Iremos ver na Bíblia Sagrada que a ressurreição não era um mero “religar” de corpo e alma.
 
Aliás, em toda a Bíblia, não há qualquer citação de um “religar” entre corpo e alma na ressurreição. Isso mesmo: nada de nada. Aqueles que dizem seguir a tradição oral podem usá-la como “bode expiatório” para explicar isso (inutilmente, já que os Pais da Igreja dos primeiros séculos também não criam na imortalidade da alma), mas os que dizem seguir a Bíblia são indesculpáveis. Vejamos o que diz o apóstolo Paulo:
 
“Se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, dentre todos os homens somos os mais dignos de compaixão” (1ª Coríntios 15:19)
 
Pelo contexto, vemos que Paulo estava falando exatamente sobre a hipótese de não haver ressurreição (vs. 12-18). Então, ele diz que, se a ressurreição não existe (como era dito por alguns coríntios), a nossa esperança se limitaria apenas a esta vida, e seríamos os mais miseráveis de todos os homens! Mas, para os defensores da tese da imortalidade da alma, se não existisse a ressurreição pouco importaria, estaríamos todos numa boa: viveríamos eternamente no Céu do mesmo jeito, só que sem um corpo físico, apenas em forma de “espírito incorpóreo”.
 
Mas, quem se importa? Não é o mais importante estar no Céu? Não é o mais importante estar com Cristo? Se sim, que diferença faria estar no Céu com Cristo com ou sem um revestimento corporal? Nenhuma. De fato, a ressurreição, sendo na prática desnecessária, não tem na concepção imortalista o valor que Paulo dava a ela – a tal ponto que, sem ela, os que já dormiram em Cristo pereceram (v.18), e que a nossa esperança se limitaria somente a esta presente vida (v.19).
 
Mas por que somente a esta vida? Simples: porque não haveria uma próxima! Ora, se a alma se desprendesse do corpo por ocasião da morte e fosse para o Céu, lá ficando toda a eternidade (antes e depois da ressurreição), então teríamos vida póstuma com ou sem ressurreição! Porém, Paulo diz claramente que a nossa esperança se limitaria somente a esta vida, no caso da ressurreição não existir.
 
Portanto, Paulo tinha em mente a concepção de que é somente por ocasião da ressurreição e por meio dela que temos uma vida futura. Sendo assim, inútil não é a ressurreição – é a imortalidade da alma. Isso sim é inútil, pois Paulo não fala dela em parte nenhuma de 1ª Coríntios cap.15 (como, aliás, não fala dela em parte nenhuma da Bíblia).
 
Paulo, no maior capítulo das epístolas e que trata exclusivamente da ressurreição, simplesmente se “esquece” de mencionar aquilo que teoricamente seria da maior importância na teologia imortalista: a religação de corpo e alma por ocasião da ressurreição!
 
Porém, o que vemos é exatamente o inverso disso. Além de não haver qualquer indício ou sinal de uma “alma imortal” habitando os céus antes do despertar da ressurreição, os imortalistas têm que conviver com o fato de que, sem ela, a vida cristã se resumiria a “comer e beber, para amanhã morrer”:
 
“Se foi por meras razões humanas que lutei com feras em Éfeso, que ganhei com isso? Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos, porque amanhã morreremos (1ª Coríntios 15:32)
 
Em outras palavras, se não fosse pelo milagre da ressurreição do último dia, vamos viver uma vida hedionda e desleixada como bem entendermos, vamos comer, vamos beber, vamos nos divertir, e vamos morrer, pois não vale a pena viver a vida se não houver ressurreição, isto é, se não houver vida póstuma!
 
Veja que essa vida póstuma está ligada inteiramente à ressurreição dos mortos. Paulo não diz que se não fosse o fato da alma ser imortal, não haveria vida eterna. Ao contrário, ele diz que se não houver a ressurreição, não há vida póstuma, e por isso seria melhor viver uma vida hedionda e então morrer.
 
A vida seria simplesmente uma inutilidade completa se não fosse pela esperança de ressurgir no último dia. Difícil imaginar isso vindo de alguém que supostamente cria na imortalidade da alma, onde a alma continua subsistindo mesmo após a morte e que já se encontra no Céu antes mesmo da ressurreição (e depois dela também), sobrevivendo perfeitamente bem sem a necessidade de ressuscitar ou de “ganhar um corpo”!
 
Como vemos, na teologia imortalista, a ressurreição dos mortos é um mero detalhe desnecessário na prática, pois já estaríamos no Céu muito bem antes dela. Já na teologia paulina, a ressurreição é tão necessária que, sem ela, seria melhor viver uma vida hedionda, desprezando-a, e a nossa esperança em Cristo se resumiria somente a esta presente vida, porque não existiria uma vida póstuma! E o que dizer do verso 29, onde Paulo diz:
 
“Se não há ressurreição, que farão aqueles que se batizam pelos mortos? Se absolutamente os mortos não ressuscitam, por que se batizam por eles?” (1ª Coríntios 15:29)
 
Paulo usa o exemplo “deles” (os pagãos), que tinham o costume de batizar em favor dos mortos, por causa da esperança deles na ressurreição. Mas, se os mortos não ressuscitam, então este batismo que era feito em favor deles seria simplesmente inútil, uma perda de tempo. Difícil imaginar isso no caso de que as almas já estivessem em algum lugar após a morte, pois, neste caso, tal batismo pelos mortos teria efeito com ou sem a ressurreição acontecer!
 
Mas, na teologia bíblica, este verso faz total sentido. Afinal, se não há ressurreição, não há vida póstuma, já que a vida póstuma se inicia na ressurreição. E, se não há vida póstuma, não há porque se batizar pelos mortos. Aqueles que batizavam pelos mortos não faziam isso por crer na imortalidade da alma, mas por crer na ressurreição. Eles tinham a esperança de que aqueles que já morreram iriam um dia retornar à vida por meio de uma ressurreição dentre os mortos, e, com essa esperança, batizavam em favor deles.
 
Mas, se não há ressurreição, não há retorno à vida, não há retorno à existência – por isso a inutilidade de tal batismo! Portanto, até mesmo quando Paulo faz uso do exemplo do convívio dos pagãos, mesmo assim há a clara menção de que é só por meio da ressurreição – e não antes dela – que alcançamos a vida.
 
É por isso que ela é a nossa esperança. Você irá folhear a Bíblia inteira e nunca verá alguém colocando a sua esperança no fato da alma ser imortal. Mas, em lugar disso, irá olhar mais à frente, até contemplar aquela mesma esperança tão admiravelmente crida e desejada pelos apóstolos:
 
“Não só isso, mas nós mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo. Pois nessa esperança fomos salvos” (Romanos 8:23-24)
 
“Agora, estou sendo julgado por causa da minha esperança no que Deus prometeu aos nossos antepassados. Esta é a promessa que as nossas doze tribos esperam que se cumpra, cultuando a Deus com fervor, dia e noite. É por causa desta esperança, ó rei, que estou sendo acusado pelos judeus. Por que os senhores acham impossível que Deus ressuscite os mortos?” (Atos 26:6-8)
 
“E tenho em Deus a mesma esperança desses homens: de que haverá ressurreição tanto de justos como de injustos” (Atos 24:15)
 
“Irmãos, sou fariseu, filho de fariseu. Estou sendo julgado por causa da minha esperança na ressurreição dos mortos!” (Atos 23:6)
 
A palavra “esperança” aparece nove vezes no livro de Atos. Em seis delas é para se referir a esperança de ressuscitar dentre os mortos (2/3 das ocasiões). Como seria bom ver a Igreja voltar ao foco primitivo, onde a esperança não estava numa imortalidade da alma, mas em estar com Cristo através da ressurreição dentre os mortos, a nossa esperança.
 
“Pois da mesma forma como em Adão todos morrem, em Cristo todos serão vivificados. Mas cada um por sua vez: Cristo, o primeiro; depois, quando ele vier, os que lhe pertencem” (1ª Coríntios 15:22-23)
 
Paz a todos vocês que estão em Cristo.
 
Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli.


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